Pacientes internados com pneumonia em UTIs (unidades de terapia intensiva) de países de baixa e média renda, como o Brasil, têm risco de morte até duas vezes maior do que os atendidos em países ricos, segundo estudo coordenado pelo Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino publicado na revista científica NEJM Evidence.
A revisão analisou dados de 48.707 pacientes internados por pneumonia contraída fora do ambiente hospitalar em 18 países de baixa e média renda. A taxa média de mortalidade encontrada foi de 37,1%, ante índices entre 16% e 26% registrados em nações mais ricas.
Entre os pacientes que precisaram de aparelhos para respirar, a mortalidade chegou a 59,3%. Em países ricos, esse percentual gira em torno de 26%, segundo os pesquisadores.
Os autores afirmam que a diferença não pode ser explicada apenas pelo estado de saúde dos pacientes. Fatores como demora para conseguir atendimento, chegada tardia às UTIs, falta de profissionais especializados e problemas na estrutura dos hospitais também influenciam os resultados.
A idade média dos pacientes avaliados era de 65 anos. Pressão alta, doenças pulmonares crônicas e diabetes estavam entre os problemas de saúde mais comuns.
O trabalho reuniu 52 estudos produzidos entre 2002 e 2024. A China respondeu por 25 pesquisas e o Brasil por seis. Embora o levantamento tenha buscado dados de países de baixa e média renda, nenhum estudo realizado em países mais pobres cumpriu os critérios necessários para ser incluído na análise final.
Para os pesquisadores, os resultados mostram a necessidade de ampliar o acesso rápido a leitos de UTI, melhorar a estrutura hospitalar e adotar padrões de atendimento para pacientes com quadros graves de pneumonia.
com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVEIA e KARINA MATIAS
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Autor: Folha




















