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Pós de transplante capilar tem gastos extras de R$ 4.000 – 18/04/2026 – Equilíbrio

Quando eu achei que o transplante capilar custava módicos R$ 14.800 (leia aqui a descrição da cirurgia), eu não fazia ideia de que o pós-operatório traria uma enorme surpresa: R$ 4.000 extras em gastos não programados. É claro que eu sabia que teria que tomar e usar muita coisa, mas ver a lista com 17 medicamentos ou produtos diferentes foi de lascar.

Eu também achava que, após a cirurgia, passaria pelo menos uma semana em casa, em repouso, mas isso ficou muito longe de acontecer. Nos dias em que imaginei que estaria deitadão na cama, acabei atravessando a cidade entre clínicas, hospitais e procedimentos, numa rotina bem distante do descanso.

As surpresas não foram só negativas. Depois de um ou dois dias, passado o susto inicial, uma onda de melhoria de auto-estima já chegou batendo na porta. Mesmo o incômodo de ter que, por duas semanas, dormir em 45 graus com a ajuda de almofadas e usando travesseiro de avião pareceu pouco frente ao sentimento de certa euforia.

Mas vamos aos perrengues. As primeiras compras tinham que acontecer ainda no dia da cirurgia. Eu precisava começar imediatamente uma bateria de medicamentos.

Na farmácia, levei três caixas de antibiótico, uma de anti-inflamatório, outra de corticoide e uma de tadalafila —um vasodilatador mais conhecido por uso sexuais, mas que, no meu caso, tinha a função de aumentar o fluxo sanguíneo na região da cabeça e favorecer a cicatrização.

Havia ainda a dica de dipirona ou paracetamol, em caso de dor, mas esses eu já tinha em casa. Essa ida à farmácia não me assustou: R$ 177,45 parcelados em três vezes. Está tranquilo.

Antes da operação, apenas um produto havia sido recomendado, comprimidos de arnica, uma erva que ajuda na cicatrização. Comecei a tomá-la cinco dias antes. Custou R$ 80.

Ao chegar em casa naquela noite, logo ficou claro que seria impossível administrar tudo isso de cabeça. Um remédio deveria ser tomado a cada seis horas, outro a cada oito, um terceiro a cada 12, outro a cada 24, e ainda haveria um de 48 em 48 horas.

Assim, baixei um aplicativo para controlar os horários —sem ele, seria inviável seguir corretamente a prescrição.

Esses medicamentos dominaram a primeira semana, mas não vieram sozinhos. Havia também uma segunda frente de cuidados, composta por produtos de uso tópico.

A lista incluía água termal para manter a região hidratada — iniciada imediatamente—, um óleo para a mesma função —iniciado no terceiro dia—, um spray hidratante para eventuais coceiras, além de xampu e condicionador específicos para regeneração do couro cabeludo.

Mais adiante, no 14º dia do pós-operatório, entrariam ainda a loção de minoxidil e um tônico capilar. Somados, esses itens, incluindo um espumador usado na lavagem da cabeça, custaram R$ 655,60, parte deles comprados na internet e parcelados em seis vezes.

Por fim, havia as fórmulas manipuladas. Foram quatro produtos: um coquetel de vitaminas e três medicamentos voltados ao combate da calvície — minoxidil, dutasterida e saw palmetto. As vitaminas foram preparadas para três meses de uso, num total de 90 cápsulas.

Aproveitei para encomendar os demais também para o mesmo período, embora me pareça que os outros três medicamentos serão de uso contínuo, ou seja, até eu morrer e restar meu crânio cheio de cabelos. Na farmácia de manipulação, esse conjunto custou R$ 576 e foi dividido em quatro parcelas.

Como eu disse, a expectativa era de ficar em casa nos próximos dias, mas descobri de repente que havia várias coisas a serem feitas. Uma delas era encontrar urgentemente uma clínica médica que oferecesse sessões de câmara hiperbárica nos próximos cinco dias.

Uma câmara hiperbárica é uma espécie de cápsula que lembra aqueles casulos futuristas de ficção científica, nos quais os desbravadores do universo entram para viajar congelados para outras galáxias.

Essas câmaras, que te colocam em um ambiente com 100% de oxigênio, são oferecidas por diversas clínicas. Pesquisei no meu bairro, o Sumaré, e encontrei três opções na região da Lapa e da Pompeia.

A primeira estava lotada. A segunda, num hospital ao lado de casa, não permitia agendamento para o mesmo dia — e a recomendação era começar imediatamente, já no dia seguinte à cirurgia. Então reservei quatro sessões no hospital para os dias seguintes, mas naquele dia fui à terceira clínica.

O motivo de tanta pressa é que a câmara ajuda a prevenir a necrose do couro cabeludo. A região foi intensamente perfurada: cerca de 4.000 furos para retirada de folículos e outros 4.000 para implantação. Trata-se de uma intervenção agressiva, e, se o corpo não reage bem, há risco de necrose.

Compare o antes e o depois

Homem visto de cima com calvície na parte superior da cabeça, sentado em cadeira de madeira. Piso escuro e sombra de móvel ao fundo.

Pessoa com cabeça raspada inclinada para frente, mostrando marcas escuras e pontos na área do couro cabeludo, indicativos de transplante capilar recente. A pessoa veste camiseta branca e calça jeans, e há um celular apoiado próximo, exibindo uma imagem.

Cabeça do jornalista Ivan Finotti

Luiz Cornagliotti/Folhapress

Perguntei se aceitavam plano de saúde. A resposta foi sim —mas com uma condição: era necessário pedir autorização com antecedência de 10 a 21 dias úteis.

Ou seja, incompatível com receber o pedido médico um dia antes. Mas não havia alternativa: tive que pagar do próprio bolso. Cada sessão de 90 minutos custou, para meu espanto, R$ 400. No total, mais R$ 2.000 — o item mais caro do pós-operatório. Cada sessão foi paga separadamente e dividida em duas vezes.

Todos os casulos tinham uma TV do lado de fora, com o som transmitido para dentro. Nos primeiros dias, não quis ver TV e tentei dormir — sem sucesso.

Usar a câmara é uma experiência estranha, claustrofóbica mesmo. Você fica confinado num espaço apertado, sem conseguir sequer tirar a camisa, por exemplo, e passa o tempo pensando em bobagens: a possibilidade de um apocalipse zumbi ou o início da Terceira Guerra Mundial enquanto você está preso ali dentro, sem ninguém para te libertar nunca mais.

Só na última sessão resolvi assistir ao Animal Planet, o que eu deveria ter feito desde a primeira. Fica a dica.

(Desde que terminei as cinco sessões, reuni as notas fiscais, comprovantes de pagamento e o pedido médico e solicitei o reembolso ao plano de saúde. Duas semanas depois, a única coisa que posso dizer é que os documentos ainda estão em análise e que talvez eu receba de volta até dois terços do gasto.)

Além dessas câmaras, a clínica de transplante recomendava fazer a lavagem da cabeça por cinco dias em locais especializados, assim como cinco sessões de drenagem linfática, uma massagem no rosto para reduzir o inchaço.

A primeira lavagem e a primeira drenagem foram oferecidas gratuitamente pela minha clínica. No dia seguinte, optei por repetir o procedimento no local, já como serviço pago: foram R$ 80 pela lavagem e R$ 280 por uma sessão de drenagem linfática.

Como quase não tive inchaço, decidi imediatamente não seguir com as drenagens para que minha carteira desinchasse um pouco.

A acompanhante que me levou para casa após o transplante, uma exigência da clínica para o procedimento, aprendeu rapidamente a técnica e realizou as lavagens seguintes em casa.

Somando tudo —farmácia, produtos, manipulados, câmaras hiperbáricas, lavagens e R$ 151 em transporte — o custo final chegou a R$ 4.000,05.

Então é isso. Quando você pensa que vai gastar cerca de R$ 15 mil num transplante capilar, ninguém te diz que haverá um custo adicional desses. Mas foi exatamente isso que aconteceu comigo.

Autor: Folha

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