
O custo da infraestrutura no Paraná sofre um forte impacto após o preço do asfalto subir 42% em 2026. Reajustes sucessivos nas refinarias elevaram o valor total das obras em até 17%, colocando em risco o cronograma de pavimentação e conservação de rodovias estaduais. O setor alerta que, sem a recomposição dos contratos, frentes de trabalho podem parar por falta de fôlego financeiro.
Qual é o real impacto desse aumento nos custos das obras?
O asfalto é o insumo vital para estradas, e sua alta de 42% desequilibra as contas de forma direta. Em serviços simples, como o tapa-buracos, ele representa 10% do gasto. Porém, em restaurações completas e reciclagem de pistas, esse derivado de petróleo pode chegar a metade de todo o custo da obra. Levantamentos indicam que o orçamento total de um projeto de engenharia viária sobe entre 16% e 17% apenas por causa desse reajuste. Como as empresas precisam pagar pelo material antes de receber do governo, muitas já operam com capacidade reduzida ou dão férias coletivas.
Por que o preço do asfalto subiu tanto recentemente?
A subida nos preços está atrelada à política de refinarias, como a Petrobras, que aplicaram aumentos acumulados expressivos desde março de 2026. O principal fator por trás dessa instabilidade é o cenário internacional, especificamente a variação no preço do petróleo causada por tensões geopolíticas entre o Irã e os Estados Unidos. Mesmo o Paraná possuindo refino próprio e uma das maiores unidades de processamento do país, o valor cobrado nas refinarias segue a paridade internacional, o que significa que o mercado local é afetado pelas crises e altas do dólar e do barril no exterior.
O aumento pode comprometer a qualidade das novas estradas?
Existe um alerta técnico sobre os riscos de se tentar economizar no material. O asfalto utiliza o cimento asfáltico de petróleo, o ligante que dá liga à mistura de pedras. Se uma empreiteira tentar reduzir a quantidade desse ligante para cortar custos, o pavimento resultante será mais fraco, menos durável e apresentará buracos muito antes do previsto. Especialistas reforçam que a fiscalização precisa ser rigorosa, realizando testes quantitativos em amostras para garantir que a espessura e a composição contratadas estejam sendo seguidas, evitando que o prejuízo financeiro vire um prejuízo técnico.
Existem alternativas para substituir o asfalto nas rodovias?
Embora o concreto seja uma opção conhecida, sua substituição não pode ser feita de improviso. O asfalto é escolhido pela rapidez: após ser aplicado e resfriar, a pista pode ser liberada em poucas horas. Já o pavimento de concreto exige projetos diferentes e um tempo de ‘cura’ muito longo, levando cerca de 28 dias para atingir a resistência ideal. Além disso, o asfalto não pode ficar esperando muito tempo após a preparação da base da estrada; se houver atrasos por falta de dinheiro para comprar o insumo, a base exposta se estraga com o clima, gerando gastos extras com retrabalho e mais demora.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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Autor: Gazeta do Povo








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