terça-feira, setembro 15, 2026
18.3 C
Pinhais

Reuters/Ipsos: confiança em vacina infantil cai nos EUA – 15/09/2026 – Equilíbrio e Saúde

A confiança dos americanos nas vacinas contra doenças infantis potencialmente fatais, incluindo o sarampo, caiu nos últimos anos, segundo uma nova pesquisa Reuters/Ipsos, um sinal preocupante para o país, que enfrenta seus piores surtos de sarampo em décadas.

A pesquisa, realizada ao longo de quatro dias e concluída na segunda-feira, mostrou que a maioria do país ainda apoia a vacinação de crianças contra o sarampo.


A doença praticamente desapareceu dos EUA por mais de duas décadas, até voltar a se disseminar nos últimos anos após uma queda nas taxas de vacinação.

Cerca de 76% dos americanos disseram acreditar que as vacinas contra sarampo, caxumba e rubéola são seguras para crianças, abaixo dos 84% registrados em uma pesquisa Reuters/Ipsos de maio de 2020. A queda na confiança foi mais acentuada entre os republicanos, já que algumas pessoas do partido têm minimizado a importância das vacinas.

O presidente Donald Trump assinou em agosto uma ordem executiva que determinava a redução do número de imunizações no calendário federal de vacinação infantil, de 17 para 11. Robert F. Kennedy Jr., principal autoridade de saúde do governo do presidente republicano, foi por muito tempo um ativista antivacina antes de Trump nomeá-lo secretário da Saúde. No cargo, ele tem buscado reformular a política de vacinação dos EUA, defendendo menos vacinas para crianças.

Pior surto em 35 anos

Pensilvânia, Utah e Carolina do Sul enfrentam surtos de sarampo neste ano. A Pensilvânia anunciou três mortes relacionadas à doença nas últimas semanas. O país contabilizou mais de 3 mil infecções confirmadas neste ano, o maior número em 35 anos.

O sarampo, que pode causar sintomas como febre, erupções cutâneas e problemas respiratórios, é altamente contagioso, mas pode ser facilmente prevenido com a vacina tríplice viral contra sarampo, caxumba e rubéola, uma imunização de rotina para crianças que apresenta eficácia de 97% na prevenção da infecção após duas doses. Ela costuma ser aplicada entre os 12 e os 15 meses e, depois, novamente entre os 4 e os 6 anos.

A cobertura vacinal média entre crianças no jardim de infância nos EUA caiu no ano passado para 92,5%, segundo dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), abaixo dos 95% que especialistas consideram necessários para alcançar a chamada imunidade coletiva, capaz de proteger pessoas da comunidade que não podem receber a vacina.

A pesquisa Reuters/Ipsos mostrou que apenas 19% dos americanos aprovam como Trump lida com o surto de sarampo, enquanto 52% desaprovam. Os demais disseram não ter opinião ou não responderam à pergunta.

Marco antes impensável

Trump raramente falou sobre o surto de sarampo, mesmo diante da ampla expectativa de que os EUA percam ainda neste ano o status de país livre da circulação endêmica da doença, após surtos iniciados no ano passado levarem à transmissão contínua. Trata-se de um marco antes impensável para um país que se orgulhava de ter erradicado a doença há mais de duas décadas graças às altas taxas de vacinação.

Os eleitores registrados que participaram da pesquisa Reuters/Ipsos escolheram os democratas em vez dos republicanos, por 45% a 25%, quando questionados sobre qual partido tem a melhor abordagem para conter doenças infecciosas como o sarampo.

Isso pode ser motivo de preocupação para alguns republicanos, enquanto o partido tenta manter o controle do Congresso nas eleições legislativas de 3 de novembro, embora vacinas e doenças estejam longe de ser as principais preocupações dos eleitores.

Cerca de 31% dos eleitores disseram estar muito preocupados com os surtos de sarampo, ante 58% que afirmaram o mesmo sobre o custo de vida.

Depois que a Pensilvânia anunciou no mês passado duas mortes relacionadas ao sarampo, Kennedy voltou a repetir a alegação falsa de que a vacina tríplice viral contém restos de fetos abortados e colocou em dúvida se o sarampo havia contribuído para as mortes. A Pensilvânia anunciou nesta semana uma terceira morte relacionada à doença.

A pesquisa Reuters/Ipsos, realizada on-line em todo o país, reuniu respostas de 1.143 adultos dos EUA e teve margem de erro de 3 pontos percentuais.

Autor: Folha

Destaques da Semana

Temas

Siga-nos

Conheça Nosso Guia de Compras

spot_img

Artigos Relacionados

Categorias mais Procuradas