Após a confirmação de três casos de sarampo no distrito de Vila Medeiros, na zona norte da capital paulista, o Ministério da Saúde recomendou, na manhã desta sexta-feira (26), a aplicação da dose zero da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) em bebês de 6 meses a 11 meses e 29 dias em São Paulo.
Segundo a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, os casos se referem a um menino de 1 ano e 1 mês, não vacinado, que iniciou os sintomas em 1º de junho; um bebê de 7 meses, não vacinado (por ser menor de um ano), que começou com os sintomas em 29 de maio; e uma menina de 1 ano e 1 mês, vacinada. Ela ficou sintomática em 4 de junho. Todos evoluíram para cura.
As três crianças tiveram confirmação laboratorial por IgM reagente e RT-PCR detectável, realizados pelo Instituto Adolfo Lutz e pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), no Rio de Janeiro. Duas delas frequentam a mesma creche e a terceira reside próximo.
A medida também vale para Guarulhos devido à proximidade com São Paulo e ao fluxo diário de deslocamentos para a capital e para o Aeroporto de Cumbica. Os três países-sede da Copa do Mundo de 2026 —Canadá, Estados Unidos e México— enfrentam surtos de sarampo. Em nota, a Secretaria da Saúde de Guarulhos disse que não há confirmação da doença na cidade, mas investiga três suspeitas.
A dose zero protege os menores de um ano, grupo mais vulnerável às complicações da doença. A estratégia não substitui o esquema previsto no Calendário Nacional de Vacinação.
O ministério acredita que os três casos sejam importados —quando a infecção ocorre no país a partir do contato com pessoas vindas do exterior. Se autóctones —contraídos localmente—, podem ameaçar a recertificação de zona livre do sarampo conquistada pelo Brasil em 2024.
O primeiro certificado de eliminação da doença foi entregue em 2016, mas perdido em 2018 após a reintrodução do vírus e a ocorrência de novos surtos.
Em março e abril de 2026, a Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo havia confirmado dois casos importados de sarampo na capital paulista. O primeiro, de um bebê de seis meses não vacinado, que contraiu a doença durante uma viagem à Bolívia em janeiro; o segundo, de um morador na Guatemala, de 42 anos.
A cobertura vacinal contra o sarampo no estado de São Paulo está abaixo da meta, que é a de imunizar pelo menos 95% do público-alvo —85,32% para a primeira dose e de 72,06% para a segunda. Na cidade de São Paulo, alcançou cerca de 100% nas duas doses.
O sarampo é uma doença viral contagiosa, transmitida pelo ar, especialmente em ambientes fechados e com grande circulação de pessoas. Os principais sintomas incluem febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e manchas avermelhadas na pele, que geralmente surgem entre sete e 14 dias após a exposição.
A transmissão é respiratória, de pessoa para pessoa. O que faz da doença ser mais transmissível é a capacidade das partículas virais se manterem em aerossol e suspensão.
Quem deve se vacinar
Dose zero
Crianças de 6 meses a 11 meses e 29 dias residentes nos municípios de São Paulo e Guarulhos
Rotina
O esquema vacinal recomendado pelo Ministério da Saúde prevê duas doses: a primeira aos 12 meses de idade, com a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), e a segunda aos 15 meses, com a tetraviral (que inclui varicela).
Pessoas de 1 a 29 anos devem ter duas doses da tríplice viral, enquanto adultos de 30 a 59 anos devem ter pelo menos uma. Profissionais de saúde precisam comprovar duas doses independentemente da idade.
Autor: Folha








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