Uma pesquisa realizada pela Ipsos Brasil mostra que a saúde mental é o principal problema de saúde percebido pelos brasileiros.
A Ipsos realizou o Monitor da Saúde 2026 (Ipsos Health Service Report 2026) por meio da plataforma online Global Advisor, entre 13 de julho e 7 de agosto de 2026. Foram entrevistados 22.528 adultos em 32 países, incluindo aproximadamente mil participantes no Brasil.
Estresse (29%), abuso de drogas (27%), obesidade (25%), abuso de álcool (18%), diabetes (17%) e doenças cardíacas (15%) completam a lista de preocupações em relação à saúde para os brasileiros. Os resultados refletem a percepção da população, e não a incidência ou a prevalência dessas condições no país.
O levantamento mostra um avanço da preocupação dos brasileiros com a saúde mental. No ano passado, pesquisa semelhante realizada pelo mesmo instituto apontou que 52% dos entrevistados consideravam o tema um dos principais problemas de saúde do país.
O percentual atual, de 58%, coloca o Brasil acima da média global, de 48%. Alemanha e Colômbia também registram 58%. O Chile lidera o ranking (75%), seguido pela Suécia (70%).
A percepção é especialmente elevada entre as mulheres: 68% delas apontam a saúde mental como um dos principais problemas de saúde, ante 47% dos homens —uma diferença de 21 pontos percentuais.
O tema ocupa a primeira posição entre os problemas de saúde mais citados na pesquisa global da Ipsos desde 2023.
Segundo Adriana Ghobril, líder de Pesquisas de Saúde da Ipsos Brasil, os resultados indicam que a preocupação com a saúde mental vai além dos serviços de saúde e afeta o cotidiano da população.
“Isso reforça a importância de olhar para a saúde mental não apenas sob a perspectiva do tratamento, mas também da prevenção e do cuidado contínuo”, avalia.
No mundo, a preocupação com a saúde mental também cresceu nos últimos anos. Em 2018, 27% dos entrevistados, em média, apontavam o tema como um dos principais problemas de saúde de seus países. Em 2026, o percentual chega a 48%, um aumento de 21 pontos percentuais. O tema ocupa a primeira posição no levantamento global da Ipsos desde 2023, à frente de doenças como o câncer.
O impacto na rotina também é expressivo. Na média dos 32 países pesquisados, 64% dos entrevistados afirmam que o estresse afetou sua vida cotidiana ao menos uma vez nos últimos 12 meses. No mesmo período, 61% dizem ter se sentido tão estressados que não conseguiram lidar com a situação, enquanto 54% relatam episódios de tristeza ou desesperança quase todos os dias por pelo menos duas semanas.
Os efeitos chegam ao trabalho e às relações pessoais: 16% afirmam ter se afastado do trabalho ou dos estudos para lidar com questões de saúde mental, e 17% deixaram de participar de encontros sociais ou familiares pelo mesmo motivo.
As mulheres e os mais jovens relatam impactos mais frequentes. Globalmente, 68% das mulheres dizem que o estresse prejudicou sua rotina no último ano, ante 60% dos homens. Entre os entrevistados com menos de 35 anos, o índice chega a 75%, acima do registrado entre pessoas de 50 a 74 anos, próximo de 50%.
Apesar da percepção sobre a importância do tema, a atenção cotidiana à saúde mental ainda é menor do que a dedicada à saúde física. Embora 78% dos entrevistados considerem as duas igualmente importantes, 75% dizem pensar frequentemente na saúde física, ante 63% que afirmam fazer o mesmo em relação ao bem-estar mental.
Autor: Folha








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