quinta-feira, abril 30, 2026
20.4 C
Pinhais

Tiros não afastam convidados de jantar da Casa Branca – 30/04/2026 – Isabelle Moreira Lima

Não consegui condenar aqueles que não largaram prato ou copo na hora em que os tiros ecoavam no salão do jantar dos Correspondentes da Casa Branca, na noite do último sábado (25). Apesar de a notícia ser o atentado contra o presidente americano, o que gerou o debate mais acalorado nas redes sociais foram aqueles que preferiram seguir agarrados à comida e à bebida ou os que aproveitaram a ocasião para levar garrafas fechadas para casa.

Quem nunca se sentiu apegado a boa comida e bebida que atire —ops, melhor não. Não atire nada. Mas convenhamos: é difícil dispensar uma mesa farta e bem cuidada. Ainda mais quando se trata de pratos como a lagosta do Maine ou o filé chateaubriand, pratos principais do cardápio do jantar de sábado. Ainda que, quando os tiros foram ouvidos, tivesse sido servida somente a etapa da salada, com uma burrata de búfala nada inédita com ervilhas tortas, pistache e vinagrete com balsâmico, é difícil sair da mesa quando há tanta promessa.

O agente de talentos que foi flagrado solitário à mesa com a frieza de um pepino justificou-se dizendo que era de Nova York, logo estava acostumado ao barulho. Também alegou ter dor nas costas, o que dificultaria jogar-se no chão. Para mim, há outro motivo não divulgado: a cremosidade da burrata encontrou a crocância do pistache e a acidez do balsâmico num equilíbrio perfeito. Difícil abrir mão disso.

Mas mais julgadas foram as mulheres (sempre elas!) flagradas levando as garrafas fechadas que estavam sobre as mesas, algumas até chamadas de ladras. Vale lembrar que era necessário comprar ingresso para o jantar, ou seja, as garrafas já estavam pagas.

Uma delas aparece sorridente segurando dois tintos Columbia Crest H3 Horse Heaven Hills Cabernet Sauvignon, produzidos no estado de Washington. O rótulo não está no Brasil, mas é possível encontrar a linha anterior no país, o Columbia Crest Grand Estates Cabernet Sauvignon 2020 (R$ 216 na WineBrands). O H3 é algo meio normal para os cabernets norte-americanos: volumoso, com bons taninos, muito frutado e com toques de chocolate.

Esperta foi a que preferiu levar champanhe. O rótulo ainda permanece um mistério, pois não foi informado no menu do jantar. Pelas imagens que circulam na internet, há uma de rótulo branco (seria uma Moët & Chandon?) e outra de amarelo (uma Veuve Clicquot?). Em qualquer dos casos, champanhe anda pela hora da morte e sempre é bom bebê-lo. Como me disse há quase 20 anos a então presidente da Veuve Clicquot, a bebida francesa é boa quando se está feliz, para comemorar, ou quando se está triste, justamente para ter um motivo para alegrar-se.

Vai uma taça?

Para um jantar mais descontraído, vão bem o branco português Alves de Sousa Douro Branco Estação 2023 (R$ 119 na Decanter) e o brasileiro Anima Thera Merlot 2024 (R$ 164 no site da vinícola), bom para um filé. Para o brinde, o espumante brasileiro Sozo Celebrate Blanc de Blanc Nature (R$ 145 na Vinhos e Vinhos), de um pequeno produtor.

Agora, se fosse um jantar de gala, elegeria o francês Domaine La Sénéchalière La Bohème 2024 (R$ 280 na Peso da Régua) ou o Lés-a-Lés Távora Varosa (R$ 206 na EmiWine), superleves e bons para salivar, e o tinto Savigny lès Beaune Les Pimentiers 2016 (R$ 450 na Anima Vinum), com nota de cogumelo e terra molhada. Para os amantes de champanhe, fica a dica que a Piper-Heidsieck voltou a ser importada no Brasil e há três rótulos no mercado: o Blanc de Blancs (100% Chardonnay), o Brut Réserve e o Rosé Réserve.


LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

Autor: Folha

Destaques da Semana

Temas

Siga-nos

Conheça Nosso Guia de Compras

spot_img

Artigos Relacionados

Categorias mais Procuradas