Iniciativa trouxe debates sobre temas relacionados à saúde pública no Brasil
Por Aline de Oliveira Gonçalves
Aconteceu, entre os dias 08 e 10 de abril, o V Congresso de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Paraná (UFPR). O evento, realizado no campus Rebouças da UFPR, contou com a participação de estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, trabalhadores da saúde e representantes de movimentos sociais.
A mesa de abertura contou com a participação da vice-reitora da UFPR, professora Camila Fachin, Paula Araújo, coordenadora dos Programas de Pós-Graduação da Pró-Reitoria de Pós-Graduação da UFPR, e representantes dos organizadores do evento: Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (UFPR), Núcleo de Estudos em Saúde Coletiva (NESC/UFPR), Instituto Federal do Paraná (IFPR) Residência Multiprofissional em Saúde da Família (UFPR), Mestrado Profissional em Saúde da Família (ProfSaúde/UFPR), Departamento de Saúde Coletiva (UFPR) e câmara do curso de bacharelado em Saúde Coletiva (UFPR Litoral).
A vice-reitora, Camila Fachin, ressaltou que o NESC/UFPR foi criado há 28 anos, fazendo parte da história da UFPR e da construção do SUS, e ainda lembrou que “a maior interface da UFPR com a população é o nosso Hospital de Clínicas (HC-UFPR)”. O evento contou com financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), por meio do Edital PROEXT-PG.
O tema da primeira mesa de debates foi “Para onde vai o nosso SUS? Um sistema de direitos em tempos de direita”, na qual foram abordados desafios enfrentados pelo sistema público de saúde, especialmente no financiamento público dos serviços. As palestrantes convidadas foram Luciana Dias de Lima, da Escola de Saúde Pública Sergio Arouca (Fiocruz), Fernanda Mendonça, do Departamento de Saúde Coletiva (UEL), mediadas pelo professor Deivisson dos Santos, do PPGSC e PROFSAUDE. Segundo Luciana Lima, a lógica política muitas vezes se sobrepõe as decisões técnicas no que se refere ao financiamento. “Emendas parlamentares substituem, em parte, o planejamento do Ministério da Saúde (MS), deslocando a agenda decisória”, declarou a palestrante.
No período da tarde, aconteceu a mesa redonda “Eu tenho direito a não ter um diagnóstico psiquiátrico e ter acesso a políticas públicas?”, com a participação de Jeane Saskya Campos Tavares, do Centro de Ciências da Saúde (UFRB), Sandra Caponi, do Departamento de Sociologia/Ciências Políticas (UFSC) e Marcela de Queiroz Teófilo, poeta, professora e ativista literária, com moderação de Sabrina Stefanello, do Departamento de Medicina Forense e Psiquiatria (UFPR).
No dia 09, a mesa redonda Experiências Exitosas: Direitos Humanos, Gênero, Equidade e populações vulneráveis, reuniu Elis Palma Priotto, do Programa de Pós-Graduação de Ensino de Enfermagem da Unioeste, Marselle Nobre de Carvalho, do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade de Londrina (UEL) e do Conselho Municipal de Direitos das Mulheres de Londrina, e Taysa Schiocchet, dos Programas de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC) e em Direito (PPGD) da UFPR.
Ao encerrar a mesa, o professor Marcos Signorelli, que fez a mediação, anunciou o lançamento da história em quadrinhos Aurora: Amanhecer com Esperança, que integra o projeto Eu Decido,plataforma de apoio às mulheres em situação de violência por parceiro íntimo. Ele também informou sobre o início da fase dois do projeto, na qual estão sendo convidadas 400 mulheres participantes de todo o Brasil, para testarem a plataforma (site e aplicativo) por um período de seis meses, em busca de avaliações de uso sobre o funcionamento dos recursos nele disponibilizados.
Na tarde do dia 09 foi realizada a mesa “Quais direitos as pessoas negras têm na saúde?”, com a presença de Carol Dartora, deputada federal (PT), Diana Anunciação, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Andreia Lima, liderança comunitária da comunidade Parolin, em Curitiba (PR), com moderação Gabriela Percilio de Araujo, das Faculdades Pequeno Príncipe e PROFSAUDE/UFPR.
Encerrando a programação, no dia 10 de abril, a mesa “Bem viver indígena e direitos nos territórios dos povos originários” contou com a participação de André Baniwa, liderança indígena do Povo Baniwa, Igor Mena (egresso do PPGSC) e Daniel Canavese de Oliveira, docente do PPGSC/UFPR, PROFSAUDE/UFRGS e representante do Ministério da Saúde. O congresso foi finalizado com o debate “Como ocupar os espaços para a construção de uma saúde cidadã?”, reunindo reflexões sobre os caminhos para o fortalecimento do SUS e da democracia. A mesa contou com a participação de Isabela Santos Soares (ENSP/FIOCRUZ) e Luciana Tatagiba (UNICAMP), com moderação de Carla Straub, professora do curso de Saúde Coletiva (UFPR).
Paralelamente, ocorreram mais de 150 comunicações coordenadas, apresentações de 130 posteres e mais de 30 apresentações de experiências em rodas de conversas. Ao longo dos três dias, o evento se consolidou como espaço de articulação entre universidade e sociedade, promovendo o diálogo entre diferentes saberes e fortalecendo iniciativas voltadas a uma saúde coletiva mais equitativa e democrática.



Autor: Agencia Paraná








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