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Veerle Hegge fala em livro sobre sua vida com anorexia – 17/04/2026 – Equilíbrio

A esposa do primeiro-ministro da Bélgica quebra o silêncio em um livro no qual descreve com crueza sua anorexia, uma doença que por pouco não lhe custou a vida.

Em entrevista à AFP, Veerle Hegge evoca uma doença na qual a pessoa pode “afundar cada vez mais” se não pedir ajuda.

“Sofrer de uma doença mental ainda é tabu. Deixa as pessoas desconfortáveis”, afirma a professora de 53 anos, que compartilha a vida há quase 30 com Bart De Wever.

“É importante receber ajuda logo quando se está doente. Mas isso só é possível se o entorno se envolver.”

Intitulado “O Peso do Silêncio”, o livro se concentra nos seis meses que essa “campeã do vômito”, como ela própria se descreve, passou em uma unidade psiquiátrica.

Ela diz que o transtorno alimentar por pouco não tirou sua vida há dois anos, mas agora já não está internada em tempo integral e pode passar os fins de semana em casa.

Hegge afirma, no entanto, que sentiu uma grande solidão, além de culpa por ter abandonado a família e os quatro filhos, de 18 a 24 anos.

O livro relata, entre outras coisas, o “silêncio pesado” de um trajeto ao hospital em 2024 ao lado do marido, que na época era prefeito da Antuérpia e presidente do partido nacionalista Nova Aliança Flamenga (N-VA). Em casa, o tema de sua doença era “cuidadosamente evitado”.

Hegge diz que o marido muitas vezes se sentiu “impotente” diante do que ela vivia, mas agradece por ele ter permanecido ao seu lado.

Ao longo do livro, Veerle Hegge mergulha o leitor em sua intimidade e em sua infância com uma mãe depressiva e às vezes tirânica e na atmosfera de silêncio que reinava em sua própria família.

A autora também revela um trauma oculto por mais de 40 anos: sofreu abusos sexuais por parte de um menino mais velho quando tinha cinco ou seis anos. “Aceitar essa verdade abriu todas as comportas”, afirma.

“Dezoito meses depois, fui internada pela primeira vez na emergência por um transtorno alimentar em estado avançado. O impacto no meu corpo e no meu equilíbrio interior foi enorme”, recorda.

Na casa da família na Antuérpia, onde recebeu a AFP, Hegge diz que se sente melhor e que vem recebendo demonstrações de carinho desde a publicação de seu livro.

As mensagens são de pessoas que enfrentaram a doença de perto e que lhe agradecem por ter abordado um tema tão difícil.

“Alguns dos que eu encontro se agarram a mim ou começam a chorar. Há muita tristeza e sofrimento.”

Autor: Folha

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