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Whatsapp usa a Copa para cativar os americanos – 16/07/2026 – Esporte

Você, provavelmente, usa grupos de WhatsApp para comentar a Copa do Mundo. Tem stickers das seleções e dos jogadores, está de olho no aplicativo enquanto a bola está rolando. Essa é uma realidade bem diferente nos Estados Unidos, um dos países-sede do mundial.

Os americanos usam bem menos o WhatsApp, ainda que isso venha mudando. No país onde SMSs são gratuitos e o iPhone, com recursos como ligações de áudio e vídeo de graça pelo FaceTime, domina o mercado de smartphones, o aplicativo demora a ganhar tração.

Mudar isso é uma das prioridades da Meta, a gigante de tecnologia dona do WhatsApp. E eventos esportivos de larga escala caem como uma luva para grandes ações de publicidade e marketing do app. Com a Copa do Mundo não foi diferente.

A propaganda do app é uma das principais durante o intervalo das transmissões dos jogos em língua inglesa na Fox, canal detentor dos direitos de transmissão, e em outros horários na ESPN. A produção envolve Bukayo Saka, estrela da Inglaterra e do Arsenal.

A propaganda é um teaser de um documentário sobre a vida de Saka produzido com apoio do WhatsApp e disponível no Disney+, e em seus 76 segundos aproveita para falar sobre a capacidade do WhatsApp de conectar pessoas.

Saka, 24, aparece no teaser usando o app para se comunicar com a família em um grupo chamado “A aldeia” (The Village, no original em inglês) e receber apoio de pessoas como o pai. “Eu não poderia ter feito isso sozinho, foi preciso uma aldeia”, diz ele, que nasceu na Inglaterra filho de pais vindos da Nigéria, ex-colônia britânica, na propaganda.

É um apelo para mostrar a importância da conexão criada pelo WhatsApp com redes de apoio, como familiares e amigos, uma dinâmica muito comum entre estrangeiros nos EUA, um país onde vivem mais de 51 milhões de imigrantes, distantes de suas casas.

Há cerca de quatro anos o WhatsApp decidiu priorizar sua expansão nos EUA. A primeira grande ação de marketing foi também em um evento esportivo de enorme escala —no caso aquele de maior comoção para os EUA, o futebol americano.

Em 2022, o aplicativo lançou uma propaganda no intervalo do championship, uma das semifinais que decide quem vai disputar o Super Bowl. A peça falava sobre a importância de usar o WhatsApp para que suas mensagens de texto fossem encriptadas.

O aplicativo tem hoje ao redor de 100 milhões de usuários no país, segundo seus dados oficiais, e tem crescido na ordem de dois dígitos anualmente. Adultos de 18 a 35 anos são os principais usuários.

Uma pesquisa realizada anualmente pelo respeitado instituto Pew Research Center mostrou que, no ano passado, 32% dos americanos diziam usar o WhatsApp, fazendo da plataforma a quinta mais usada, depois de YouTube, Facebook, Instagram e TikTok. O uso tem crescido: em 2018, eram 24% os que afirmavam utilizar o app.

O uso tradicionalmente sempre foi maior entre comunidades imigrantes, em especial a asiática e a latina —esta última que, como atestam os brasileiros, é grande usuária do WhatsApp a todo momento, inclusive para comentar a Copa.

A tendência fica evidente ao analisar os principais mercados do WhatsApp segundo o próprio app: Califórnia, Texas, Nova York e Florida. São estados que concentram ambas as comunidades, com exceção da Florida, na Costa Leste, que é um bastião latino, mas não asiático.

No início de seu projeto de expansão pelos EUA, o WhatsApp teve como estratégia justamente fazer ações de marketing com as comunidades que já usavam pais o app, mas isso hoje tem mudado, e cada vez o público americano é o foco.

Ainda assim, fica claro como a comunidade imigrante é um imã. Durante a estreia da Argentina contra a Argélia nesta Copa, em Kansas City, quando a equipe sul-americana levou a melhor, o WhatsApp fez uma ativação com nove influenciadores latinos levados para assistir o jogo. Seus conteúdos falavam sobre a importância dos grupos de WhatsApp.

A Meta também decidiu sediar seu evento anual Conversations, sobre o WhatsApp, justamente nos EUA no ano passado, após realizar seus eventos anteriores na Índia e no Brasil (seus dois maiores mercados, junto com a Indonésia). A cidade escolhida também foi simbólica: Miami, bastião latino no país.

Autor: Folha

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