
O telescópio James Webb detectou um buraco negro adormecido na galáxia MRG-M0138, a mais de 10 bilhões de anos-luz da Terra. A descoberta, revelada hoje (20), utiliza o fenômeno de lente gravitacional para observar um objeto invisível com massa 6 bilhões de vezes maior que a do Sol.
O que define um buraco negro como adormecido?
Normalmente, buracos negros são achados quando estão ‘comendo’ gás e poeira, processo que gera muita luz e energia. O buraco negro adormecido é aquele que parou de consumir matéria de forma ativa. Como ele não atrai novos materiais no momento, ele não emite brilho, tornando-se praticamente invisível para os telescópios comuns.
Como foi possível enxergar algo que não emite luz?
Os astrônomos usaram uma ‘lupa cósmica’ natural chamada lente gravitacional. Funciona assim: uma galáxia no meio do caminho entre a Terra e o buraco negro usou sua gravidade para desviar e ampliar a luz lá de trás em 30 vezes. Com isso, os cientistas não viram o buraco negro em si, mas observaram como a força dele afetava o movimento das estrelas ao seu redor.
Qual é o tamanho desse gigante cósmico?
Este buraco negro é colossal, com uma massa estimada em 6 bilhões de vezes a do nosso Sol. O que mais impressiona os cientistas é o fato de um objeto tão pesado já existir quando o Universo ainda era muito jovem, logo nos primeiros bilhões de anos após o Big Bang, o que desafia algumas compreensões atuais sobre o tempo necessário para essas estruturas crescerem.
Por que essa descoberta é importante para a astronomia?
Ela funciona como um fóssil cósmico. Ao estudar esse objeto, entendemos melhor como as galáxias envelhecem. Acredita-se que, no passado, esse núcleo tenha sido tão ativo que expulsou todo o gás da galáxia, ‘aposentando’ a criação de novas estrelas. Encontrá-lo ajuda a reconstruir a história do Universo primitivo e como as primeiras grandes estruturas surgiram.
O que podemos esperar das próximas pesquisas espaciais?
A detecção prova que o James Webb pode encontrar objetos ‘silenciosos’ e escondidos, e não apenas os brilhantes. No futuro, missões com os telescópios Euclid e Nancy Grace Roman devem caçar mais dessas galáxias ampliadas. Isso permitirá criar um mapa muito mais completo sobre a evolução dos buracos negros e das galáxias ao longo de bilhões de anos.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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Autor: Gazeta do Povo








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