
Os rebeldes houthis do Iêmen emitiram alertas via rádio nesta segunda-feira (20) para navios que transitam pelo Mar Vermelho e pelo Golfo de Aden, afirmando que embarcações ligadas à Arábia Saudita estão proibidas de usar essas rotas, sob ameaça de serem atacadas.
A medida surge após os extremistas anunciarem um bloqueio marítimo contra o país árabe e ameaçarem há dias fechar o Estreito de Bab el-Mandeb, a segunda maior rota de exportação de petróleo do Oriente Médio.
“Avisamos todos os navios pertencentes ao inimigo saudita para que não transitem pelo Mar Vermelho ou pelo Golfo de Aden. Em caso de descumprimento da decisão das Forças Armadas Iemenitas (houthis), esses navios serão nosso alvo”, dizia a transmissão de rádio no Canal 16, o canal naval dos extremistas.
O alerta foi emitido em relação à “proibição de navegação para navios sauditas devido ao constante cerco à nação iemenita”. Os houthis têm estado no centro da escalada das tensões com Riad na última semana, acusando os sauditas de imporem um bloqueio ao Iêmen.
Os houthis declararam o bloqueio naval contra a Arábia Saudita uma semana depois do exército iemenita ter bombardeado o Aeroporto Internacional de Sanaa — a capital do Iêmen controlada pelos rebeldes — um ataque que visava impedir o pouso de um avião iraniano.
Os rebeldes responsabilizaram a Arábia Saudita pelo ataque, embora Riad não tenha se pronunciado, e responderam com ataques contra o território saudita.
Além disso, os houthis acusam Riad de intensificar o bloqueio aéreo e restringir as importações marítimas pelo porto de Al Hodeida, no Mar Vermelho, um ponto de entrada crucial para a ajuda humanitária nas áreas do Iêmen controladas por eles.
O governo iemenita, por sua vez, afirma que os extremistas usam o porto e o aeroporto para obter suprimentos de armas, principalmente do Irã.
Esta é a escalada mais acentuada da tensão entre os houthis e a Arábia Saudita desde o cessar-fogo mediado pela ONU em 2022, que praticamente interrompeu as hostilidades até agora, apesar do término do acordo naquele mesmo ano. Para a Arábia Saudita, este bloqueio marítimo se soma ao bloqueio já existente no Estreito de Ormuz.
Autor: Gazeta do Povo








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