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Cartilha contra sexualização no atletismo no passa a valer – 09/08/2026 – Esporte

Um novo guia para evitar que as transmissões televisivas sexualizem as atletas entrará em vigor nesta segunda-feira (10), no início do Campeonato Europeu de Atletismo, em Birmingham, na Inglaterra.

As novas diretrizes foram elaboradas pela UER (União Europeia de Radiodifusão), que tem sede em Genebra, na Suíça.

A UER explicou que trabalhou com atletas para desenvolver diretrizes “destinadas a evitar a sexualização da ação por meio de ângulos de câmera desnecessários”.

Várias atletas foram consultadas para orientar a UER da melhor maneira possível, entre elas a britânica Holly Bradshaw, medalhista de bronze olímpica no salto com vara.

O novo regulamento será implementado pela primeira vez no Campeonato Europeu de Atletismo, de 10 a 16 de agosto.

“A forma como nosso esporte é mostrado durante as transmissões ao vivo pode ser extremamente poderosa, mas às vezes também prejudicial para as mulheres que competem e para as mulheres e meninas que assistem”, diz Bradshaw.

“Eu mesma já sofri ataques nas redes sociais e vi vídeos inadequados, meus e de outras atletas, feitos a partir de imagens em câmera lenta das nossas competições. Muitas atletas, inclusive eu, já passaram por situações em que ficamos mais preocupadas com as câmeras do que com o próprio desempenho”, explicou.

“Em muitas ocasiões, as câmeras dão zoom e exibem replays em câmera superlenta de atletas em posições constrangedoras”, prossegue.

A saltadora com vara francesa Marie-Julie Bonnin resume: “Eu pratico esporte e não quero que filmem a minha bunda”.

Ângulos de câmera aceitáveis

Após as conversas com as atletas, a UER elaborou um roteiro sobre os ângulos de câmera aceitáveis.

Entre os que serão evitados estão os ângulos baixos, com câmeras posicionadas abaixo das atletas em provas como salto em altura ou salto com vara, para impedir a captação de imagens das esportistas que possam ser consideradas constrangedoras.

“A sexualização das atletas por meio de ângulos de câmera escolhidos deliberadamente e de decisões de edição continua sendo uma preocupação importante em muitas transmissões esportivas”, afirma Glen Killane, diretor executivo de esportes da UER.

“Planos que se demoram nos corpos, câmeras em ângulo baixo e o uso excessivo de replays em câmera lenta sem qualquer finalidade técnica ou narrativa estão entre os problemas observados atualmente na cobertura midiática das competições femininas de atletismo”, acrescentou.

A velocista britânica Amy Hunt afirmou que o tema é “sem dúvida uma conversa que precisamos ter”.

“À medida que a tecnologia avança, as pessoas querem ficar mais próximas do esporte. Quando estivemos em Londres ou Doha, havia câmeras nos blocos de partida, e as mulheres apontaram que isso poderia ser um possível problema”, relembra.

“É, sem dúvida, uma mudança muito bem-vinda. Além disso, não deveríamos ter de mudar nossas roupas para nos sentirmos confortáveis. Quero me sentir rápida e poderosa, não quero sentir que minha roupa me limita de alguma forma. Por isso, acredito que seja um passo muito positivo”, continua.

A saltadora com vara Bonnin disse que já se deparou com fotos e vídeos seus em ação que “não têm nenhum interesse esportivo”.

“Às vezes, envio mensagens a organizadores e fotógrafos pedindo que apaguem as imagens”, contou. “Mas acho que, no fundo, havíamos aceitado a existência de imagens que não eram normais”.

Autor: Folha

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