sexta-feira, agosto 28, 2026
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Polarização antecipa 2º turno nas eleições estaduais

O primeiro turno das eleições estaduais em grandes colégios eleitorais do país passou a ser considerado um segundo turno antecipado devido à presença de apenas dois candidatos competitivos na disputa pelo governo. Nas urnas, o baixo número de candidatos é inversamente proporcional ao acirramento político. Na visão de cientistas políticos ouvidos pela Gazeta do Povo, o cenário de polarização nos estados é resultado de amplas alianças partidárias da direita à esquerda e da falta de candidaturas alternativas com potencial nas urnas.

Para a cientista política Priscila Lapa, as candidaturas estaduais são vinculadas ao presidente Lula (PT) e ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mesmo quando apresentam novos nomes ligados aos grupos tradicionais de outros partidos nos estados. “Temos novos atores que ao longo dos anos ganharam protagonismo, principalmente pela mudança da ordem partidária no país. Além disso, temos uma reorganização do centro com partidos que se posicionam mais à centro-direita a partir do fenômeno do bolsonarismo”, avalia.

Apesar dos novos nomes, ela afirma que não existe uma renovação política e, sim, uma “reprodução contemporânea” das disputas tradicionais nos estados. De acordo com Lapa, o eleitor busca “orientação no lulismo e no bolsonarismo” para a definição do voto nas eleições locais, independentemente da sigla partidária. “Na eleição estadual também entra em cena de forma expressiva a avaliação do atual governo, que é um clássico nas disputas eleitorais”, acrescenta.

São Paulo reproduz polarização por palanques na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro 

O caso mais emblemático de polarização nos estados é o de São Paulo, onde o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o petista Fernando Haddad disputam a eleição ao Palácio dos Bandeirantes, acompanhados de candidaturas “nanicas” no primeiro turno. De acordo com a última pesquisa Datafolha, Tarcísio aparece como favorito para vencer a eleição e se manter no Palácio dos Bandeirantes por mais quatro anos. O candidato à reeleição tem 45% das intenções de voto, contra 27% de Haddad, no cenário estimulado do primeiro turno.