
O influenciador católico Tiba Camargos, que está tetraplégico desde fevereiro de 2025, quando bateu a cabeça em uma pedra ao salvar um filho que se afogava, publicou um vídeo em seu perfil no Instagram pedindo mobilização para que ele possa receber polilaminina durante uma cirurgia que terá de fazer. A polilaminina é um composto desenvolvido no Brasil e que está em testes para ajudar na recuperação de pacientes com lesões graves na medula.
No vídeo, Tiba e a esposa, Andréa (conhecida como Déia) Camargos, recordam o acidente que deixou Tiba tetraplégico e explicam os resultados dos primeiros testes com a polilaminina. O casal também questiona os critérios estabelecidos pela Anvisa para os candidatos ao tratamento experimental, como a curtíssima janela temporal entre o momento da lesão e a aplicação da molécula: são apenas 72 horas, sendo que só o processo de autorização poderia levar até 48 horas. Tiba já não se encaixa nesse critério – enquanto aguardava que a polilaminina fosse liberada para testes, “meu corpo cruzou a fronteira invisível: deixei de ser um paciente agudo para ser um paciente crônico”, diz ele –, mas lembra que Bruno Drummond, paciente que voltou a andar após receber a molécula, também não se encaixava porque sua lesão era cervical, e não torácica.
O casal ainda recordou a possibilidade do “uso compassivo”, previsto pela Anvisa e que permite o uso de um medicamento experimental em pacientes que não se qualificam para as pesquisas clínicas – é o mesmo procedimento que o influenciador Lito Sousa e sua esposa estão tentando para tratar a doença de Creutzfeldt-Jakob, com a qual ele foi diagnosticado dias atrás. Nesses casos, diz Déia, 75% dos pacientes avançaram pelo menos dois graus na escala que mede a gravidade de lesões. “Dois graus na escala podem ser a diferença entre nunca mais se mexer e voltar a sentir a mão de um filho (…) Para quem não move nada, qualquer movimento é uma vida inteira. 75% não é uma estatística, é um pai penteando o cabelo de uma filha”, afirma Tiba. No entanto, as tentativas de conseguir na Justiça a autorização para o uso compassivo da polilaminina no caso de Tiba fracassaram.
O influenciador explica que, recentemente, foram encontrados dois cistos na região da lesão, que terão de ser removidos cirurgicamente. Tecnicamente, essa remoção criará uma nova lesão, que fará de Tiba novamente um paciente agudo. “A medula vai estar aberta. A polilaminina poderia ser aplicada no mesmo ato cirúrgico, com responsabilidade médica e acompanhamento. Só que a autorização precisa existir antes de ele entrar no centro cirúrgico”, afirma Déia. “Ninguém está inventando uma cirurgia para me encaixar numa regra. A cirurgia já vai acontecer, a medula já vai estar aberta. A única pergunta é se nesse momento a esperança vai estar dentro da sala ou do lado de fora esperando um papel”, continua Tiba.
VEJA TAMBÉM:
- Gabriel Sestrem: O acidente de Tiba Camargos é, na verdade, uma lição profunda de proteção paterna
- Paulo Briguet: Tiba Camargos e o milagre do amor ao próximo
No fim, o casal pede aos internautas que compartilhem o vídeo e marquem a Anvisa em comentários. “Esse vídeo não é só sobre mim, mas sobre as 200 famílias excluídas”, diz o influenciador, em referência a todos os que têm buscado sem sucesso o uso compassivo da polilaminina. “Eu pulei naquele rio sem pensar duas vezes para salvar meu filho, e só peço que o Brasil não pense duas vezes na hora de salvar os seus. E um dia, se Deus quiser, eu ainda vou fechar os meus braços em volta dos meus filhos novamente”, encerra.
Autor: Gazeta do Povo








.gif)












