domingo, agosto 30, 2026
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Pinhais

em defesa do autor artificial

A empresa de inteligência artificial Anthropic – criadora do Claude – se curvou às exigências dos burocratas da União Europeia e vai incluir uma “marca d’água” nos textos produzidos por seus sistemas. Essa marca é feita através do uso de combinações de palavras que não são perceptíveis pelo usuário, mas podem ser detectadas por sistemas. Ou seja: qualquer pessoa que use IA para produzir, ainda que parcialmente, um texto, estará sujeita a ter esse texto flagrado como “escrito por IA”.

Isso pode gerar repercussões graves. Recentemente, autores prestes a serem publicados por importantes editoras no exterior tiveram livros retirados de publicação ou contratos editoriais desfeitos após suspeitas de uso de IA. O romance Shy Girl, de Mia Ballard, teve a edição americana cancelada e a britânica descontinuada após suspeitas de uso de IA, embora a autora tenha negado ter feito isso. Mais recentemente, a publicação do romance de Jerry Falade foi cancelada após dúvidas sobre o processo de escrita. Ele também negou ter usado IA.

Mas que diferença faz se o texto foi produzido ou não por IA?

Em alguns contextos, é essencial que o texto tenha sido 100% produzido por aquele que diz ser o autor. Esse é, evidentemente, o caso de processos de avaliação como provas em escolas e universidades, dissertações, teses, concursos públicos e competições literárias. Pode haver também situações em que isso seja uma exigência contratual ou legal.