Duas candidaturas fortes no campo político ideológico da direita no Mato Grosso têm o potencial de culminar em uma situação inédita no estado do Centro-Oeste: PL e Republicanos devem disputar um inédito segundo turno para decidir quem assume o comando do Palácio Paiaguás, sede do governo estadual, a partir do ano que vem. Ao menos, é o que indicam até aqui as sondagens de intenção de voto mais recentes divulgadas por diferentes institutos de pesquisa.
No Mato Grosso, desde a redemocratização do país e a instituição do segundo turno para governador, em 1988, nunca houve uma segunda etapa na disputa pelo governo do estado. O segundo turno ocorre quando não há maioria absoluta de votos para um candidato.
Neste ano, esse histórico pode ser diferente no Mato Grosso, estado que tem um cenário eleitoral dominado por candidatos de direita e centro-direita, sem espaço para a esquerda. De acordo com a última rodada da sondagem de intenções de voto para governador do Mato Grosso do instituto Quaest, Wellington Fagundes (PL) e Otaviano Pivetta (Republicanos) empatam tecnicamente dentro da margem de erro de 2,6 pontos percentuais, com 27% e 23% no cenário estimulado de primeiro turno, respectivamente.
Pivetta é o governador e foi vice de Mauro Mendes (União Brasil), que deixou o comando do Executivo estadual para disputar o Senado. A candidata Doutora Natasha (PSD) aparece na terceira colocação, até aqui distante dos concorrentes, somando 8% das intenções de voto.
Sargento Laudicério (Agir) e Rafaell Milas (Missão) surgem na pesquisa com 2%, e Maurício Coelho (Mobiliza), com 1%. Indecisos somam 8%. Já em um possível cenário de segundo turno, o candidato do PL venceria o do Republicanos, por 38% a 29%.
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Na pesquisa da Quaest, chama a atenção o número de eleitores que declaram aos pesquisadores que votarão em branco, nulo ou simplesmente não vão votar: 29% — um número maior do que o do primeiro colocado na intenções de voto da pesquisa. Para 52% dos eleitores ouvidos no levantamento, a escolha do candidato é definitiva. Outros 47% dizem que ainda podem mudar o voto até a data marcada para o primeiro turno das eleições, em 4 de outubro.
Foram 804 entrevistados pela Quaest de 21 a 24 de agosto de 2026. A pesquisa foi contratada pela Rádio e Televisão Matogrossense Ltda / TV Centro América ou Rede Matogrossense de Televisão. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2,6 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº MT-04846/2026.
A avaliação de políticos locais é de que o segundo turno entre Pivetta e Fagundes é inevitável. “Essa aqui é uma eleição, depois de muito tempo, de dois turnos no estado de Mato Grosso. Eu acredito que o Wellington e o Pivetta vão para o segundo turno, naturalmente, a não ser que haja alguma anomalia eleitoral”, afirmou Abilio Brunin (PL), prefeito de Cuiabá.
O deputado estadual Júlio Campos (União Brasil), que disputa a reeleição para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), também avalia que a eleição para o governo mato-grossense em 2026 deverá terminar em segundo turno. “É uma eleição que nós sabemos que vai ser em dois turnos”, afirmou.
“Eu acho que o Wellington Fagundes vem liderando pela força do PL e dos apoiadores de Bolsonaro, e Mato Grosso pode consolidar-se como um dos que vai para o segundo turno justamente disputando com o atual governador Otaviano Pivetta”, acrescentou Campos.
“Eu nunca vi uma eleição tão esquisita, tão estranha, como esta de 2026. Pouca gente sabe que tem eleição, que tem candidatura, tanto é que na pesquisa divulgada pela Quaest, 29% estão indecisos e 8% não sabem quem votar, nem sim, nem não”, aponta o deputado estadual. “Então, quer dizer, ainda está muito cedo para a gente dar o diagnóstico, mas eu acredito que será em segundo turno, até porque tem seis candidatos a governador”, diz.
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PT apoia candidatura do PSD no Mato Grosso
No Mato Grosso, a esquerda desistiu de lançar candidato para o governo do estado nas eleições deste ano. O PT apoia, sem muito entusiasmo, a candidata do PSD, Natasha Slhessarenko.
O deputado estadual Lúdio Cabral (PT) afirmou que a campanha trabalha por uma ida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Mato Grosso, para animar a campanha de centro-esquerda, mas reconheceu que a agenda do petista está apertada. “Nós estamos trabalhando para conseguir um espaço na agenda do Lula para que ele venha a Mato Grosso, à capital, a Várzea Grande e a algum município do interior. Agora, a agenda do Lula é uma agenda muito difícil, porque ele, de segunda a sexta, tem o dever de continuar presidindo o Brasil”, disse à imprensa local, na semana passada.
Mato Grosso é um dos poucos estados onde o PT abriu mão de todas as candidaturas majoritárias na chapa coligada com partidos aliados.
A presença de Lula no estado seria uma forma de fortalecer o combalido palanque de centro-esquerda construído por ali para 2026. A aliança lançou ainda Diogo Botelho (PDT) como vice, enquanto Carlos Fávaro (PSD) e Pedro Taques (PSB) disputam as duas vagas ao Senado — Mato Grosso é um dos poucos estados onde o PT abriu mão de todas as candidaturas majoritárias na chapa coligada com partidos aliados.
Porém, a baixa expectativa de sucesso dos candidatos locais nestas eleições e a relativa baixa expressividade de Mato Grosso em termos de quantidade de eleitores (2,6 milhões, ou 1,66% do total do Brasil) tornam remota a possibilidade de mais engajamento de Lula e outros caciques do PT na eleição estadual.
Autor: Gazeta do Povo








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