
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, defendeu nesta quarta-feira (2) que a Nicarágua seja submetida a um embargo comercial mundial, um dia depois de a Assembleia Nacional do país centro-americano ter aprovado em primeira legislatura uma reforma constitucional que exclui de eleições “traidores da pátria” e amplia para sete anos o mandato presidencial.
“Ontem, a Assembleia Nacional, refém de Rosario Murillo [copresidente da Nicarágua e esposa de Ortega] e Daniel Ortega, desmantelou a ficção da democracia na Nicarágua, reescrevendo mais uma vez a Constituição do país para consolidar sua dinastia ilegítima e privar indefinidamente os nicaraguenses de eleições livres e justas”, afirmou Rubio em comunicado.
“Ditaduras que negam os direitos inalienáveis de seus cidadãos não devem desfrutar dos mesmos benefícios econômicos ou políticos que governos comprometidos com a defesa da paz e da segurança no hemisfério. Os Estados Unidos instam seus parceiros internacionais a interromper imediatamente as relações comerciais e operacionais habituais com essa ditadura brutal”, disse o secretário de Estado.
Rubio afirmou na nota que “a guerra de Murillo e Ortega contra a democracia ameaça a estabilidade e a prosperidade do nosso hemisfério”.
“O governo Trump mantém seu compromisso de identificar e implementar medidas para enfrentar as violações de direitos humanos cometidas por Murillo e Ortega, inclusive em fóruns como a Organização dos Estados Americanos [OEA]. Reiteramos nosso apoio ao direito dos nicaraguenses de decidir o futuro de seu país”, finalizou o secretário.
A OEA deve realizar este mês uma reunião de chanceleres para discutir as mudanças na Constituição nicaraguense, anunciadas em 19 de julho, quando, durante um evento em Manágua em comemoração pelo 47º aniversário da Revolução Sandinista, Ortega declarou que não haveria mais eleições na Nicarágua, para evitar que a oposição “tente tomar o poder”.
Depois de ampla condenação internacional, o regime voltou atrás e disse que ainda haverá eleições no país, mas que “golpistas” e “traidores da pátria” não poderão participar – na prática, vetando a participação de qualquer pessoa que não seja autorizada pela ditadura sandinista.
Após o avanço na Assembleia Nacional nesta terça-feira, as novas medidas deverão ser aprovadas também pela próxima legislatura da Assembleia Nacional nicaraguense (9 de janeiro a 15 de dezembro de 2027) para entrar em vigor.
Autor: Gazeta do Povo








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