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Disputa judicial por madeira provoca risco fiscal de R$ 1 bilhão

O que deveria ter sido a quitação de uma dívida de R$ 198 mil do estado do Paraná, ainda nos anos 2000, se transformou em uma cobrança judicial que hoje ultrapassa os R$ 200 milhões. No centro do caso está a exploração de madeira na região do Vale do Ribeira, na área rural de Cerro Azul e Doutor Ulysses, com acusações de desmatamento em áreas preservadas da Mata Atlântica.

A Gazeta do Povo teve acesso aos processos e documentos que compõem esse quebra-cabeça jurídico. Eles mostram como um conflito por terras, iniciado há quatro décadas, se transformou em um risco fiscal que a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) já calcula em até R$ 1 bilhão.

O caso também é alvo de uma investigação criminal da Polícia Federal do Paraná, que apura a retirada desordenada de madeira na região. Os crimes investigados incluem esbulho possessório (ocupação forçada ou indevida de uma propriedade), furto qualificado, ameaça, receptação qualificada (compra ou uso de produto obtido de forma ilegal) e transporte irregular de produto florestal.

Acordo trocou dívida pública por floresta de pinus

A história começa em 1987, quando o casal Adérito dos Santos Delgado e Maria Zélia Pires Delgado comprou uma fazenda no interior de Cerro Azul. Ao tentar assumir o terreno, descobriu que a área já estava ocupada por projetos de reflorestamento da Banestado S.A. Reflorestadora — estatal que depois mudou de nome para Ambiental Paraná Florestas e, mais tarde, foi incorporada à estrutura do atual Instituto Água e Terra (IAT).