Quão difícil é um estrangeiro ser artilheiro de um campeonato? Nas principais ligas europeias, bem pouco.
Na Inglaterra, a badaladíssima Premier League teve em suas cinco mais recentes edições um goleador gringo –em três delas, o norueguês Haaland (Manchester City), algoz do Brasil na Copa do Mundo, ficou no topo.
Na Espanha, a última vez que um espanhol esteve no comando da artilharia ao término de La Liga ocorreu na temporada 2007/2008 (Dani Güiza, do Mallorca, hoje com 46 anos). Faz tanto tempo que La Roja nem Copa do Mundo tinha ganhado ainda –hoje é bicampeã.
Na Alemanha, 13 das 15 últimas Bundeligas coroaram um não alemão como rei dos gols. O polonês Robert Lewandowski, atualmente no futebol dos EUA, faturou o troféu que tem forma de canhão sete vezes nesse período.
No Brasil, entretanto, a resposta é esta: dificílimo. Escassíssimo. Beira o excepcional, o extraordinário.
Considerando as unificações feitas pela CBF, que deu status de Campeonato Brasileiro a torneios –o primeiro deles em 1937– muitíssimo diferentes do que se iniciou em 1971, são 70 as edições realizadas. Em somente duas, um estrangeiro terminou campeão da artilharia.
Na primeira delas, em 1972, ele nem foi o goleador isolado. O craque uruguaio Pedro Rocha (1942-2013), ídolo do São Paulo, meia-atacante apelidado El Verdugo (O Carrasco), marcou 17 gols no Brasileiro de 1972, o mesmo que Dario, o Dadá Maravilha, pelo Atlético-MG.
Então houve um hiato de 50 anos até que outro estrangeiro ocupasse o posto mais alto da artilharia do Brasileirão. O centroavante argentino Germán Cano (El Matador), pelo Fluminense, balançou as redes 26 vezes, mais do que qualquer outro jogador, em 2022.
Apesar dos esforços de Luisito Suárez (uruguaio), em 2023, Vegetti (argentino), em 2024, e De Arrascaeta (uruguaio), em 2025, nessas edições o goleador-mor voltou a ser um brasileiro.
Agora, contudo, com o campeonato se encaminhando para o terço final, um forte candidato desponta rumo à consagração artilheira.
O colombiano Kevin Viveros, do Athletico-PR, lidera a corrida pelo Troféu Roberto Dinamite, nomeado em homenagem ao ícone vascaíno (morto em 2023, em decorrência de um câncer), que acumula o maior número de gols na história do Brasileiro (190).
Viveros, 26, excluído da Copa do Mundo por opção do treinador da Colômbia, tendo de ver de longe o ataque estéril de seu país, está com 17 gols. Atuou em 24 dos 25 jogos do Athletico no campeonato.
Seu único adversário firme no páreo é o também centroavante Pedro, 29, de outro rubro-negro, o Flamengo. Anotou 15 gols nas 25 partidas do time carioca. Esteve em todas elas.
Caso Viveros se mantenha à frente até o dia 2 de dezembro, data de encerramento do campeonato, será lembrado eternamente como o “terceiro primeiro” quando o tema for estrangeiro artilheiro do Brasileiro.
A conferir se consegue e, conseguindo, se será ou não com recorde. O número de gols de Pedro Rocha o colombiano atingiu. Está a nove de Cano.
E no feminino? Teve estrangeira artilheira do Brasileiro, que é disputado de forma contínua há apenas 13 anos, depois de existir de 1997 a 2001? Uma vez. Em 2017, com 18 gols, a argentina Florencia Soledad Jaimes ajudou o Santos a erguer sua única taça.
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Autor: Folha








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