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Por que a oposição da Venezuela está criticando o acordo de petróleo entre Trump e o chavismo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na última sexta-feira (28) um acordo com o regime chavista da Venezuela para dar a Washington controle majoritário sobre a exploração de 17 campos que concentram cerca de 65 bilhões de barris de petróleo no país. O pacto, confirmado pela líder interina Delcy Rodríguez, tem sido alvo de críticas de diferentes setores da oposição venezuelana, que questionam principalmente a legitimidade política do chavismo para firmar um compromisso de longo prazo, a falta de transparência sobre os termos e as condições econômicas oferecidas aos envolvidos.

O acordo terá duração de 25 anos e prevê investimentos superiores a US$ 100 bilhões. Segundo Rodríguez, os projetos poderão produzir mais de 1,5 milhão de barris por dia e gerar cerca de US$ 209 bilhões em receitas para o Estado venezuelano ao longo do período. Os 65 bilhões de barris incluídos no pacto correspondem a mais de 20% das reservas comprovadas do país.

A principal crítica política está relacionada à legitimidade de Delcy Rodríguez para comprometer uma parcela tão significativa da principal riqueza econômica da Venezuela. A líder opositora María Corina Machado afirmou nesta quinta-feira (3) que uma parceria estratégica com os Estados Unidos pode ser importante para o futuro do país, mas defendeu que decisões dessa magnitude sejam tomadas por um governo democrático e legitimado nas urnas.

“Os inimigos dos Estados Unidos na Venezuela estão atualmente no Palácio de Miraflores [sede do Executivo venezuelano]”, afirmou Machado ao criticar a aproximação de Washington com o chavismo. Segundo ela, qualquer acordo entre os EUA e a Venezuela necessita estar baseado em “transparência absoluta, legalidade e eficiência”, condições que, em sua avaliação, dependem da existência de um governo democrático e institucionalmente estável, o que o chavismo não oferece.