
Os elogios que o presidente da Argentina, Javier Milei, fez ao ex-ditador chileno Augusto Pinochet (1973-1990) geraram revolta na esquerda do Chile.
Nesta quinta-feira (3), Milei fez um discurso no 5º Encontro Regional da organização de direita Foro de Madri, em Santiago, e celebrou a chegada recente de José Antonio Kast à presidência chilena.
“É um prazer para mim estar de volta ao Chile, especialmente após a vitória e a recente posse do meu amigo José Antonio Kast”, afirmou Milei, que em seguida celebrou a queda do ex-presidente de esquerda chileno Salvador Allende, em um golpe de Estado liderado por Pinochet em 1973.
“Após a derrubada do comunista Allende, o Chile entrou em um período de estabilidade e crescimento que durou mais de 40 anos”, disse o presidente argentino, que afirmou que o país vizinho nesse período foi motivo de “inveja em termos econômicos em toda a região”, antes de cair no que descreveu como “a farsa do socialismo do século XXI” – em referência aos presidentes de esquerda que o Chile teve após a redemocratização.
Em post no X, o senador chileno Juan Luis Castro, do Partido Socialista (PS), disse que “Javier Milei pode ter as ideias políticas que deseje, mas vir ao Chile para defender a derrubada do presidente Salvador Allende e tratar a esquerda como um ‘câncer’ e aqueles que pensam diferente como ‘esquerdistas imundos’ ultrapassa todos os limites”.
A Fundação Salvador Allende divulgou na mesma rede social uma nota de Maya Alejandra Fernández Allende, ex-ministra da Defesa no governo do esquerdista Gabriel Boric (2022-2026) e neta de Salvador Allende.
Maya disse que a declaração de Milei “normaliza a ruptura da ordem institucional e o golpe de Estado, uma ideia que nenhum país que valoriza sua democracia deveria tolerar, muito menos celebrar de forma tão destemperada”.
“A gravidade disso é aprofundada pelo momento e pelo lugar das declarações: poucos dias antes de relembrar o 11 de Setembro [dia em que ocorreu o golpe de Estado em 1973], data que marca o início de uma ditadura responsável por torturas, assassinatos, desaparecimentos forçados e graves violações dos direitos humanos”, acrescentou a neta de Allende.
Kast, que assumiu a presidência chilena em março, costuma fazer elogios à política econômica do regime de Pinochet, de quem seu irmão Michael foi ministro (também foi presidente do Banco Central do Chile). Porém, destaca que essa admiração não inclui “a questão dos direitos humanos” durante o período.
Nesta quinta-feira, Kast recebeu Milei no Palacio de la Moneda, sede da presidência chilena.
Autor: Gazeta do Povo








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