O interior do Ceará receberá a primeira unidade industrial do Brasil dedicada à produção de curativos biológicos feitos com pele de tilápia. Localizada em Jaguaribara, a fábrica conta com um investimento inicial de R$ 52 milhões, unindo recursos públicos e iniciativa privada. O projeto visa transformar um descarte da pesca em um avançado material médico para o tratamento de queimados.
Como esse novo curativo ajuda na recuperação de pacientes com queimaduras?
O material funciona como uma barreira protetora que adere à ferida e permanece no local durante todo o processo de cicatrização. Diferente das gazes comuns, que precisam ser trocadas quase diariamente — um processo extremamente doloroso —, a pele de tilápia reduz drasticamente a necessidade de trocas. Em casos de queimaduras de segundo grau, observou-se que apenas três substituições são necessárias em 20 dias. Isso ocorre porque o produto é rico em colágeno tipo 1, muito parecido com o humano, o que ajuda o corpo a fechar a lesão com menos dor e em um tempo ligeiramente menor.
O que é o processo de liofilização e por que ele é importante para o produto?
A liofilização é uma técnica de desidratação onde a água da pele de tilápia é retirada por sublimação, passando do estado sólido para o gasoso sem virar líquido. Para o público leigo, imagine que o produto é ‘congelado a vácuo’. Isso é essencial porque permite que o curativo seja guardado em temperatura ambiente por longos períodos, sem estragar ou precisar de geladeiras. Além dessa etapa, o material passa por limpeza profunda e radiação gama para eliminar qualquer vírus ou bactéria, garantindo total segurança para o uso em hospitais e clínicas de todo o país.
Qual será o impacto econômico e social dessa fábrica no Sistema Único de Saúde?
A produção em escala industrial tem potencial para reduzir em até 50% os custos do tratamento de queimados para o SUS. Essa economia acontece porque o curativo diminui o tempo de internação e exige menos equipe médica dedicada a trocas constantes. Além disso, a fábrica em Jaguaribara aproveitará a grande oferta de matéria-prima do Vale do Jaguaribe, o maior produtor de tilápia do estado. O empreendimento vai gerar novos empregos especializados para químicos, biólogos e engenheiros, transformando o que antes era lixo da indústria de alimentos em um produto de alto valor.
Quais são as próximas etapas antes do produto chegar aos hospitais?
Apesar do sucesso nas pesquisas da Universidade Federal do Ceará, a produção industrial ainda depende da aprovação final da Anvisa. A fábrica deve começar a ser erguida entre outubro e novembro deste ano, com previsão de entrega em 12 meses. Durante esse período, serão produzidos lotes experimentais para validar as boas práticas de fabricação exigidas pelos órgãos reguladores. Além de focar no mercado brasileiro e no atendimento público, a empresa já mantém negociações avançadas para exportar a tecnologia para países como México, Portugal e Turquia em um futuro próximo.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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Autor: Gazeta do Povo



















