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Corrida de rua: cuidados que você deve ter antes da prova – 19/09/2026 – Equilíbrio

As corridas de rua ganharam espaço entre as opções de atividade física e lazer nos últimos anos. O crescimento desse tipo de evento, porém, também aumenta a necessidade de atenção à saúde e à segurança dos participantes, especialmente entre aqueles que não têm experiência ou preparo adequado para enfrentar provas de maior intensidade.

Dados apresentados neste ano pela Abraceo (Associação Brasileira de Organizadores de Corridas de Rua e Esportes Outdoor) mostram a dimensão desse crescimento: o número de corridas de rua aumentou 85% em relação a 2024. Naquele ano, já havia sido registrada uma expansão de 24% em comparação ao ano anterior.

Para quem pretende participar de uma prova, os cuidados devem começar antes da largada. Mais do que se inscrever e iniciar os treinos, é importante avaliar as condições de saúde e verificar se o organismo está preparado para o esforço físico. Uma avaliação médica antes da prova pode ajudar a identificar fatores de risco e problemas que ainda não foram diagnosticados.

“O principal risco está associado à possibilidade de o participante apresentar problemas cardiológicos que ainda não foram diagnosticados. Isso porque, quando o indivíduo é submetido a um esforço físico muito acima do habitual, ocorre uma sobrecarga do coração, o que pode desencadear arritmias graves e, em casos extremos, levar a uma parada cardíaca”, alerta o cardiologista Cristiano Faria Pisani, presidente da Sobrac (Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas).

De acordo com o cardiologista Eduardo Segalla de Mello, do Einstein Hospital Israelita, que é triatleta e tem experiência com esse tipo de atividade, a triagem pré-participação recomendada pela Associação Americana do Coração deve envolver histórico cardiovascular, exame físico e eletrocardiograma em repouso.

“Treinamento estruturado com preparador físico é especialmente relevante para reduzir o risco associado à falta de preparo, dado que estreantes representam parcela significativa das fatalidades”, afirma.

“Mesmo assim, é imprescindível que os atletas amadores façam um check-up e mantenham sob controle os fatores de risco como hipertensão, colesterol alto e diabetes, além do hábito de fumar, para evitar problemas”, acrescenta o médico.

O especialista também destaca a importância da hidratação, do acompanhamento da ingestão de eletrólitos e de uma alimentação adequada, de preferência com orientação de um nutricionista.

O dia da prova, porém, não é o momento de testar estratégias de hidratação, alimentação ou suplementação que não tenham sido previamente utilizadas nos treinos.

Sinais de alerta durante a corrida

Durante a prova, o participante também deve observar como o corpo reage ao esforço. Falta de ar intensa, palpitações, dor no peito, tontura, visão turva, palidez, sensação de calor ou sudorese acima do habitual são sinais para interromper a atividade e procurar ajuda médica, em vez de insistir na corrida.

“Muitas vezes, o organismo avisa quando está chegando ao seu limite, e tentar ultrapassá-lo sob essas condições pode ser extremamente perigoso”, alerta o especialista da Sobrac.

Também é importante avaliar as condições de saúde antes de iniciar a atividade. Infecções ou indisposições, mesmo aparentemente simples, podem comprometer a capacidade do organismo de lidar com o esforço.

“Às vezes, as coisas não saem como o planejado por causa de uma gripe, uma diarreia ou uma noite mal dormida, por exemplo, e vale a pena não forçar a barra nessas situações, mesmo que isso signifique não sair de casa ou parar de correr logo de cara, para evitar desfechos que podem, inclusive, levar a quadros graves e à morte”, diz o médico do Einstein.

Escolha da prova também exige atenção

Os especialistas explicam que os cuidados começam ainda na escolha do evento. Antes de fazer a inscrição, o atleta deve pesquisar se a empresa organizadora tem experiência na realização de corridas de rua e verificar se existe uma estrutura adequada de atendimento médico e paramédico.

Também é importante conferir a disponibilidade de ambulâncias equipadas com desfibriladores externos automáticos (DEA), que devem chegar ao participante em até três minutos em uma situação de emergência.

“A ampla disponibilização de DEA e profissionais capazes de realizar a reanimação cardiovascular são responsáveis pela queda de 71% para 34% na taxa de letalidade em maratonas e meias-maratonas entre os períodos 2000-2009 e 2010-2023”, conta o cardiologista.

Também é essencial haver postos de atendimento médico e de hidratação distribuídos ao longo de todo o percurso.

Autor: Folha

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