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Trump vai fracionar vacinas infantis para reduzir autismo – 19/09/2026 – Equilíbrio e Saúde

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (18) que planeja exigir que fabricantes de vacinas dividam alguns imunizantes infantis em cinco doses separadas, o que, segundo ele, resultará em uma redução maciça de casos de autismo, ideia repetidamente refutada por cientistas.

Trump não apresentou nenhuma evidência científica que relacione vacinas a autismo. Tampouco especificou quais imunizantes o governo planeja dividir em doses menores.

“Vamos recomendar que sejam aplicadas cinco doses. E que sejam administradas em intervalos de seis meses, para que uma pequena quantidade da vacina seja injetada no corpo”, afirmou Trump em anúncio no Salão Oval da Casa Branca, em Washington.

Trump já havia assinado, em agosto, um decreto exigindo a redução do número de vacinas infantis e limitando o calendário de vacinação a 11 imunizações. A medida, segundo ele, daria às crianças norte-americanas proteção “padrão ouro” e alinharia o país a nações que recomendam menos doses.

O decreto determinava que os norte-americanos recebessem vacinas separadas contra sarampo, caxumba e rubéola, embora nenhuma dessas vacinas individuais seja aplicada nos Estados Unidos e especialistas afirmem que pode levar anos até que alguma delas se torne disponível.

A norma atende a um objetivo antigo do secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., conhecido pela oposição às vacinas e que vem promovendo uma suposta ligação entre imunizantes e autismo.

Também nesta sexta, Kennedy nomeou um aliado, John Gaitanis, para liderar o Comitê Interagências de Coordenação do Autismo (IACC), um importante painel consultivo federal, substituindo a atual presidente. A nomeação foi confirmada à Reuters por Emily Hilliard, porta-voz do departamento de Saúde e Serviços Humanos.

Gaitanis é neurologista pediátrico e, no mês passado, foi nomeado diretor do Instituto de Saúde Infantil dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH). Ele substituiu Sylvia Fogel, professora da Faculdade de Medicina de Harvard e mãe de um adulto com autismo.

À frente do órgão, Fogel propôs e ajudou a aprovar um plano estratégico voltado a cuidados médicos, moradia, envelhecimento e outras prioridades para pessoas com autismo e suas famílias. Também recomendou que o governo adotasse o termo “autismo profundo” para pessoas com grandes necessidades de apoio.

Ela assumiu a presidência do órgão depois que Kennedy reformulou o colegiado, preenchendo-o integralmente com novos membros, alguns dos quais defenderam a existência de vínculos entre vacinas e autismo.

Kennedy disse durante uma reunião que Gaitanis assumiria o cargo porque, tradicionalmente, o comitê é presidido por um de seus 21 membros do governo federal, conforme duas pessoas a par da reunião. Fogel está no grupo dos 20 membros externos do comitê, representantes da sociedade civil.

Segundo a porta-voz do departamento de Saúde, ter um presidente do governo federal reforçaria o foco do comitê na implementação de seu plano estratégico e na coordenação entre órgãos, acrescentando que Fogel continuaria como integrante. Fogel não comentou a nomeação de Gaitanis.

Sob a liderança de Fogel, o comitê recomendou quase dobrar os gastos federais nos Institutos Nacionais de Saúde, nos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) e em outros órgãos para enfrentar uma série de questões que afetam pessoas com autismo e suas famílias.

O comitê orienta o governo sobre prioridades relacionadas ao autismo. O novo plano estratégico não mencionou vacinas, nem o estudo de uma possível relação delas com o autismo.

‘FAMÍLIAS DEVEM DECIDIR SOBRE VACINAR SEUS FILHOS’

Gaitanis, que foi diretor de neurologia pediátrica da Universidade Brown, defende que as famílias decidam se devem vacinar seus filhos. Ele atuou repetidas vezes como perito médico remunerado em processos sobre supostos danos causados por vacinas, incluindo ações relacionadas à vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola.

Em janeiro de 2025, Gaitanis assinou uma carta em apoio à indicação de Kennedy para o cargo de secretário, citando seus apelos por transparência em relação às vacinas. Também participou de eventos com a Children’s Health Defense, grupo antivacina fundado por Kennedy, e de encontros ligados ao movimento Make America Healthy Again, de Kennedy.

Defensor de longa data do uso da leucovorina no tratamento do autismo, Gaitanis reuniu-se em agosto de 2025 com o diretor dos Institutos Nacionais de Saúde, Jay Bhattacharya, ao lado de Fogel e outras pessoas, para discutir pesquisas sobre a substância.

Um mês depois, Trump, Kennedy e autoridades graduadas da área da saúde promoveram publicamente o medicamento durante um evento na Casa Branca no qual o presidente associou vacinas ao autismo, alegação sem respaldo científico.

Neste ano, a FDA, agência que regula medicamentos nos Estados Unidos, aprovou o medicamento genérico, usado há décadas, para tratar uma doença genética rara que provoca sintomas semelhantes aos do autismo, mas não para crianças com o diagnóstico mais amplo, citando a falta de dados.

Em abril, Gaitanis cofundou uma empresa que oferece serviços de telessaúde a famílias de crianças autistas interessadas em tratamento com leucovorina e assumiu o cargo de diretor médico da companhia.

Autor: Folha

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