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Vinhos florais: o que aprendi ao provar com florista – 01/10/2026 – Isabelle Moreira Lima

Uma das famílias aromáticas mais enganosas do mundo do vinho é também uma das mais óbvias: a das flores. Não é difícil perceber quando um vinho tem uma nota floral; difícil é dizer a que flor aquele cheiro pertence.

Para este começo de primavera, me animei a fazer a clássica degustação de vinhos com notas florais, mas, desta vez, de forma mais rigorosa, com a precisão que só uma florista poderia oferecer. Convidei Marina Gurgel, da floricultura A Bela do Dia, em Pinheiros, para nos dar o caminho das pétalas.

Levei as garrafas ao centro de São Paulo, ao Domo Bar, onde o salão é comandado com galhardia pela sommelière Amanda Beserra. Com ela e Guilherme Giraldi, também sommelier, provei os rótulos.

Entre os espumantes mais populares do Brasil, o Salton Brut (R$ 42 no site da vinícola) é um corte de chardonnay, prosecco e trebbiano da Serra Gaúcha que traz notas de gardênia e de maçã. Tem acidez alta e doçura notável. Uma porta de entrada para as borbulhas, também vale como base para drinques.

Dois rosados portugueses brilharam. O alentejano Casa Relvas Rose (R$ 159 na Viva Vinho) tem cor linda, que orna com a garden rose dos seus aromas. Na boca é, ao mesmo tempo, fresco e gordinho e especialmente longo. Pede friturinhas do mar. Já o Crasto Douro DOC Rosé 2024 (R$ 148 na Woods Wine) cheira a rosas mais intensas (e é mais cor-de-rosa). É estruturado, perfeito para um almoço de família.

Com os brancos, é possível fazer um grande buquê. A gérbera vem do Vinyes Ocults Viognier 2024 (R$ 170 na Boca a Boca), que leva ainda fruta cítrica bem caramelada ao nariz e à boca. Com acidez alta, é bom para queijos mais gordos de massa mole.

O jasmim e a violeta vêm do Cerro de Pedra Chardonnay Jovem 2025 (R$ 148 na loja online da vinícola), ótima surpresa que vem da Campanha Gaúcha. Volumoso e seco, é mais clássico e pede uma massa ou um peixe mais gordo.

A belíssima flor de magnólia vem do francês Paul Mas Gewurztraminer 2024 (R$ 158 na Boccati), que também explode em lichia. Na boca é suntuoso, com uma ponta de doçura, ideal para curries bem aromáticos e outros ensopados com capim-limão.

O espanhol Mucho Más (R$ 79 na Encontre Vinhos) é o mais exuberante entre os brancos, com notas de frésia, goivo e, para os narizes dos mortais, flor de maracujá. Mix de verdejo, sauvignon blanc e chardonnay, é fresco, traz certa doçura e um sabor de maçã verde. Bem geladinho, perfeito para petiscar.

Mais diferentão, o georgiano Askaneli Manavi Branco (R$ 173,61 na Ancestral), feito com as uvas autóctones kakhuri mtsvane e rkatsiteli, traz a flor de laranjeira, mais conhecida por aqui. Tem perfil fresco e mentolado, e lembra pêssego maduro. Vale provar mais geladinho.

Para os amantes dos vinhos mais amadeirados, o português Monte dos Cardeais Reserva Branco (R$ 149 na Rota do Azeite e Vinhos) é a aposta, com notas discretas da dianthus, uma flor comestível.

Chegando aos tintos, o excelente Boya Syrah 2019 (R$ 193 na Mistral), do Chile, também traz madeira e lembra jasmim-manga. Com um tanino presente, pede carne. Para encerrar o painel, o francês Domaine de Luc Syrah Viognier 2025 (R$ 189,44 no Peso da Régua) é um corte de branco e tinto levíssimo e superperfumado: aproximar a taça do nariz é como enfiá-lo em uma cumbuca cheia de patchouli. Na boca, é mais: a primavera inteira na taça.


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Autor: Folha

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