San Francisco e Washington
|Financial Times
Uma startup americana de inteligência artificial apoiada pela Nvidia e pelo governo de Donald Trump apresentou seu primeiro modelo de pesos abertos—sistema de IA cujos parâmetros numéricos aprendidos pela tecnologia durante o treinamento são disponibilizados para qualquer pessoa baixar e usar—, ampliando as ambições dos Estados Unidos de competir com grupos chineses que dominam o mercado de produtos de IA públicos e personalizáveis.
A Reflection AI afirmou nesta segunda-feira (6) que seu primeiro modelo, chamado Beam, está no mesmo nível do GLM-5.2, da Z.ai, um dos principais concorrentes chineses. A startup tem importância estratégica para os EUA na corrida de inteligência artificial com a China e também para a Nvidia, que busca criar concorrentes para os maiores laboratórios do setor, como OpenAI e Anthropic.

Cabos de um data center da Nvidia, apoiadora da startup de IA Reflection AI, que busca competir com modelos chineses
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Brittany Hosea-Small – 24.mar.26/Reuters
A Reflection afirmou que o Beam superou concorrentes americanos, “oferecendo desempenho competitivo em tarefas de programação e de agentes a uma fração do custo por token”, mas ainda não divulgou todos os detalhes técnicos sobre o desempenho do modelo. Tokens são unidades de informação processadas pelos sistemas de IA.
A Reflection firmou parcerias com o Pentágono e o Departamento de Energia dos EUA, além de fechar acordos para desenvolver modelos de IA para aliados americanos, incluindo a Coreia do Sul, como parte dos esforços do governo Trump para conter a concorrência chinesa e ampliar sua própria esfera de influência.
A Reflection levantou mais de US$ 4 bilhões (R$ 19,9 bilhões) desde seu lançamento, em 2024, e correu para alcançar uma avaliação de US$ 25 bilhões (R$ 124,3 bilhões) antes de lançar seu primeiro modelo.
Modelos de pesos abertos, que podem ser personalizados pelos usuários e executados em seus próprios equipamentos, podem ser muito mais baratos para as empresas operarem do que as versões mais avançadas do ChatGPT, da OpenAI, ou do Claude, da Anthropic.
A busca por um modelo americano líder de pesos abertos se tornou mais urgente nos últimos meses, à medida que o uso dessas ferramentas disparou, com laboratórios chineses por trás da maioria dos principais modelos. Em agosto, modelos de pesos abertos responderam por 56% de todos os tokens processados pela AI Gateway, da empresa de aplicativos de nuvem Vercel, ante 7% em dezembro.
Alguns integrantes do governo Trump —entre eles o secretário do Tesouro, Scott Bessent— levantaram a possibilidade de impor sanções a modelos chineses suspeitos de roubar propriedade intelectual de concorrentes americanos.
A ameaça levou a uma carta conjunta do setor, liderada pela Nvidia, que afirmou que um “ecossistema” de pesos abertos era essencial para “criar oportunidades de inovação e prosperidade em todo o país”.
O presidente-executivo da Nvidia, Jensen Huang, também defendeu o uso de modelos chineses de pesos abertos por empresas americanas, afirmando que eles oferecem bom custo-benefício.
A Nvidia investiu US$ 800 milhões (R$ 3,98 bilhões) na Reflection e forneceu acesso a seus chips, ajudando a empresa a avançar na disputa com rivais chineses. A Reflection também recebeu investimentos de empresas de capital de risco como Sequoia Capital, Disruptive e 1789 Capital, da qual Donald Trump Jr., filho do presidente Donald Trump, é sócio.
Em uma audiência no Congresso no mês passado, Bessent pediu que empresas americanas desenvolvessem mais modelos de pesos abertos, afirmando que eles são necessários para reduzir o domínio dos modelos fechados desenvolvidos pela OpenAI e pela Anthropic.
“Não podemos permitir que esses grandes laboratórios tenham captura regulatória, porque isso vai interromper a inovação”, disse Bessent aos parlamentares.
Se for bem-sucedido, o novo modelo da Reflection poderá intensificar uma guerra de preços entre os principais laboratórios de IA. A startup afirmou nesta segunda-feira (5) que seu modelo será competitivo em “tarefas de programação e de agentes” por uma fração do custo dos concorrentes americanos e que em breve será lançado com parceiros.
Empresas americanas que utilizam modelos chineses de pesos abertos também passaram a ser alvo de críticas de parlamentares republicanos em Washington, que investigam as “preocupações de segurança nacional associadas à crescente dependência de modelos desenvolvidos por entidades sujeitas à jurisdição da República Popular da China”.
Autor: Folha








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