
A Reuters publicou nesta sexta-feira (30) uma reportagem apontando que autoridades do Departamento da Guerra dos Estados Unidos orientaram membros europeus da Otan para que baixem o tom em declarações sobre a ameaça representada pela Rússia ao continente, após a invasão à Ucrânia iniciada em 2022.
Quatro pessoas a par do assunto disseram à agência britânica que o argumento da pasta da gestão Donald Trump é que algumas declarações de líderes e autoridades europeus têm “prejudicado” a segurança do continente.
Tais fontes apontaram que Lituânia, Letônia e Estônia, frequentemente citadas como possíveis novos alvos do regime de Vladimir Putin, estão entre os países que receberam pedidos para que contenham suas declarações públicas.
De acordo com a apuração da Reuters, Elbridge Colby, subsecretário da Guerra para Assuntos Políticos dos Estados Unidos, seria um dos altos funcionários americanos que fizeram esses pedidos.
Colby teria dito a uma autoridade de um país báltico que não deveria haver “provocações” e citou como exemplo uma declaração de que a Rússia estaria “encurralada como um rato”, numa provável referência a um comentário feito no final de setembro pelo primeiro-ministro da Estônia, Kristen Michal, que descreveu Putin como um “rato encurralado” na guerra na Ucrânia.
Outra autoridade europeia relatou que o Pentágono enviou mensagens como “estamos ajudando vocês. Os americanos estão presentes. Apenas não sejam barulhentos. Não façam alarde”.
Em uma reunião recente, o Pentágono teria orientado uma delegação estoniana a ser “ponderada” em suas comunicações, informou a Reuters.
O Departamento da Guerra americano não confirmou que fez tais solicitações a aliados de Otan na Europa. “Conversas privadas entre aliados são, por definição, privadas; portanto, não faremos comentários sobre essas alegações”, disse uma autoridade do Pentágono.
A reportagem é publicada em um momento em que Trump tenta retomar as negociações para um cessar-fogo na Ucrânia.
Na semana passada, após um encontro na Rússia entre Putin e o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, o Kremlin informou que o líder russo concordou em retomar as negociações de paz com a Ucrânia mediadas pelos Estados Unidos a partir do próximo mês.
Este mês, a Ucrânia reclamou de ações de Trump que considera que ajudam a Rússia na guerra, como comprar diesel russo e suspender tarifas a países que importam combustíveis e outros produtos russos.
Além disso, a mídia estatal russa relatou nesta semana que Washington está em negociações com o Kremlin para suspender as sanções contra o fundo soberano da Rússia, que foram impostas pelo governo Joe Biden no começo da guerra, em 2022.
Autor: Gazeta do Povo








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