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Meu irmão não se separa da esposa que detesto, e agora? – 31/10/2026 – Equilíbrio

Pergunta: há dois anos, meu irmão me contou que a esposa o havia traído durante os quatro anos inteiros de casamento. Ela confessou, e os dois decidiram continuar juntos.

Neste verão, meu irmão me ligou depois que ele e a esposa passaram um fim de semana brigando devido a uma questão envolvendo a filha de 4 anos. (Eles também têm um bebê de 1 ano.) A briga terminou com a esposa do meu irmão chamando a filha de “garotinha idiota” e dizendo que a odiava. Depois, ela pegou o bebê e foi ficar na casa da mãe. Mais uma vez, meu irmão e minha cunhada decidiram continuar juntos. No entanto, as brigas entre eles persistem.

Sou a única pessoa da família que sabe de tudo isso, e meu irmão espera que eu aja normalmente nas festas e reuniões familiares. Mas sinto tanta raiva da minha cunhada, tanta tristeza pelo meu irmão e tanta preocupação com a minha sobrinha, que tenho evitado minha cunhada e deixado de comparecer a festas e reuniões de família. Com isso, também estou perdendo momentos preciosos com os filhos do meu irmão.

Disse a ele que não quero mais ouvir nada de ruim sobre seu casamento, a menos que pretenda se separar da minha cunhada. Enquanto isso, vejo nas redes sociais todos os momentos divertidos que minha família passa sem mim, enquanto os demais permanecem alheios à verdade.

Não posso dizer à minha família que não irei ao Natal sem causar preocupação, mas como vou suportar as reuniões familiares me sentindo assim?

Resposta do terapeuta: o que me parece importante observar é a maneira como você decidiu lidar com os sentimentos muito naturais que está vivenciando diante do que seu irmão lhe contou. Sua forma de administrar a raiva, a tristeza e a ansiedade tem sido evitar a presença da sua cunhada, mas não sei o que isso resolve. Você acaba privada das experiências familiares que valoriza, sem melhorar a situação de nenhuma das pessoas envolvidas.

Então, vamos dar um passo atrás e considerar o que você quer, o que está sob seu controle e onde essas duas coisas se cruzam. Seu irmão, na prática, deixou nas suas mãos informações particulares e angustiantes, o que fez você se sentir, ao mesmo tempo, impotente e cúmplice.

Imagino que, ao se afastar dos eventos dos quais a família dele participa, uma parte de você esteja tentando mostrar a ele que não apoia esse casamento, enquanto outra tenta sinalizar à sua cunhada que você sabe do comportamento dela e o desaprova.

Mas quero que considere que é possível desaprovar o comportamento da sua cunhada sem boicotar os eventos familiares. Estar presente não significa que você aprova as atitudes dela —nem as decisões do seu irmão sobre como reagir a elas—, e evitar as reuniões de família pune mais você do que qualquer outra pessoa.

Suspeito que você esteja tendo dificuldade para lidar, de modo mais amplo, com a posição em que seu irmão a colocou. Ele confia em você o suficiente para se abrir, mas o que está fazendo, conscientemente ou não, é transferir para você o peso da dor e da sensação de impotência dele. Se ele se sente preso em uma situação insustentável —incapaz, por qualquer motivo, de tomar uma atitude, apesar das próprias preocupações—, agora você também se sente assim.

Você se tornou um receptáculo para a raiva, a tristeza e a ansiedade dele, o que talvez lhe traga certo alívio e também possa funcionar como um amortecedor que lhe permite evitar tomar qualquer providência.

Você já expressou parte do que deseja: que seu irmão pare de se abrir com você, a menos que vá terminar o casamento. Mas isso soa mais como um ultimato do que como um limite, além de confundir o que você faria nessa situação com o que ele pode decidir fazer por si mesmo.

Quando atendo casais em terapia, embora talvez eu não escolhesse permanecer naquele casamento se estivesse na situação deles, isso não significa que eles queiram fazer a mesma escolha. Ao que parece, você quer que seu irmão deixe a esposa mais do que ele próprio, e sua raiva vem, em parte, de vê-lo permanecer em uma situação que considera inaceitável.

Você pode dizer a alguém o que está vendo, mas não pode obrigá-lo a enxergar a situação da mesma forma nem a tomar uma atitude. E, quanto mais você pressionar por um desfecho específico, mais na defensiva e mais julgado ele poderá se sentir —e menor será a probabilidade de recorrer a você quando realmente precisar de apoio.

Em geral, é mais útil fazer perguntas que estimulem a reflexão. Você poderia dizer: “Você parece angustiado com o que está acontecendo no seu casamento, mas também parece acabar sempre na mesma situação: as coisas melhoram por algum tempo, mas, no fim, pouca coisa muda. Fico feliz que confie em mim para falar disso, mas não sei como lidar com essa situação e não quero ser a única pessoa a quem você recorre. Talvez conversar com um terapeuta possa ajudar. O que você acha?”

Dito isso, quero fazer uma distinção entre os problemas conjugais e o que está acontecendo com as crianças. Se elas são expostas a conflitos constantes entre os pais e se sua cunhada fala com elas da maneira que você descreveu, há um dano emocional real em curso.

Você pode chamar a atenção do seu irmão para o comportamento que a preocupa, perguntar se ele compreende o mal que isso causa e incentivá-lo a assumir a responsabilidade de proteger os filhos —mas, novamente, não pode controlar o que ele faz. O que pode fazer, no entanto, é decidir como estará presente na vida dessas crianças, o que talvez seja mais um motivo para comparecer às reuniões familiares e lhes oferecer a presença acolhedora e tranquilizadora de uma tia.

Talvez essa seja a mudança que mais possa ajudá-la: em vez de organizar sua vida em torno de evitar alguém cujo comportamento a enfurece, você pode se concentrar em se aproximar das pessoas que ama. O Natal não precisa ser um plebiscito sobre sua cunhada. Ainda assim, esses encontros talvez pareçam mais fáceis se você não precisar enfrentá-los sem nenhum apoio.

Seu irmão lhe entregou um fardo pesado. Ter um espaço para falar sobre seus próprios sentimentos a respeito disso, talvez com um terapeuta, pode ajudá-la a suportar esse peso sem permitir que ele determine onde você passará as festas de fim de ano. Você não pode simplesmente esquecer o que sabe, mas não precisa carregar tudo isso sozinha.

Autor: Folha

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