domingo, novembro 1, 2026
18 C
Pinhais

Estudo associa áreas verdes a menor risco de diabetes – 01/11/2026 – Equilíbrio e Saúde

Ter um jardim em casa ou viver em uma região com vários parques por perto pode estar associado a um menor risco de desenvolver diabetes tipo 2. É o que sugere um estudo publicado na revista BMC Public Health, que acompanhou mais de 400 mil pessoas no Reino Unido por cerca de 15 anos.

Os pesquisadores observaram que aqueles que viviam em áreas com maior presença de jardins residenciais apresentaram risco aproximadamente 7% menor de desenvolver a doença.

Entre os participantes que tinham três ou mais parques em um raio de 800 metros da residência, o risco de desenvolver a doença foi 5,7% menor.

“O diabetes tipo 2 está associado tanto a menor [prática de] atividade física como à obesidade e ao estilo de vida, com alimentação pior, mais pró-inflamatória”, observa a geriatra Erika Satomi, do Einstein Hospital Israelita.

“Quem usa espaços verdes costuma ser mais fisicamente e socialmente ativo, geralmente tem menor exposição a poluentes e é menos sedentário.”

Não significa, portanto, que ter um jardim previne, por si só, o diabetes. Essa associação identificada no estudo provavelmente ocorre de maneira indireta. Uma rotina ativa está associada a um menor risco de desenvolver a doença principalmente pela redução da gordura corporal e da resistência à insulina, fatores relacionados ao desenvolvimento do diabetes tipo 2.

Já há evidências de que o contato com áreas verdes está relacionado a efeitos como redução do cortisol e da pressão arterial, além de alterações em marcadores cardiovasculares e aumento da adiponectina, uma substância associada à proteção metabólica.

“O que não está exatamente claro é por qual via isso acontece e que tipo de exposição e uso das áreas verdes teriam esse impacto”, pondera Satomi.

Parques perto de casa

Outro ponto levantado no estudo é a quantidade de parques disponíveis. Os pesquisadores não encontraram uma associação entre a distância até o parque mais próximo e o risco de diabetes, mas observaram menor risco da doença entre quem tinha três ou mais parques em um raio de 800 metros.

Contudo, isso também pode indicar regiões com melhores condições socioeconômicas, que em geral oferecem maior acesso a serviços de saúde, alimentação de melhor qualidade e outras oportunidades para a prática de atividade física.

“Quando a gente fala em 7% menos risco ou 5,7% menos risco [de ter diabetes tipo 2], estamos comparando uma exposição a pouco verde com uma exposição a mais verde. Não estamos quantificando a densidade disso. Talvez essa condição socioeconômica tenha interferido muito mais do que um, dois ou três parques”, analisa a geriatra.

Cuidar de um jardim pode ser uma maneira de sair do sedentarismo, mas não deve ser encarado como substituto da atividade física. O próprio estudo não avaliou se os participantes cuidavam do verde que tinham em casa.

“Qualquer atividade física que te tire do sedentarismo e do estresse tem potencial de prevenção de diabetes. São coisas que podem complementar uma melhora da qualidade de vida“, diz Erika Satomi.

Para a população que vive em apartamento ou em regiões sem parques próximos, cultivar plantas em vasos pode ser uma alternativa para aumentar o contato com o verde e proporcionar momentos de relaxamento. O mais importante, porém, é não perder de vista os fatores de prevenção já conhecidos.

“É preciso pensar em fatores maiores, como estimular realmente a atividade física, a interação social e melhorar a qualidade da alimentação da população”, frisa a médica do Einstein.

Autor: Folha

Destaques da Semana

Temas

Siga-nos

Conheça Nosso Guia de Compras

spot_img

Artigos Relacionados

Categorias mais Procuradas