
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, enfrenta um processo de impeachment no Senado após o colapso do Ueno Bank, uma das maiores instituições financeiras digitais do país. O escândalo, que envolve a suspensão de operações bancárias e o congelamento de US$ 850 milhões em recursos públicos, levou Peña a apresentar sua renúncia nesta quinta-feira (5), mas o Congresso ainda não concluiu a análise do pedido.
Como a quebra do Ueno Bank desencadeou essa crise política?
A crise começou quando o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank após identificar problemas graves, como empréstimos irregulares para empresas dos próprios donos do banco e falta de dinheiro em caixa para garantir as operações. O banco cresceu muito rápido e guardava cerca de US$ 850 milhões de dinheiro público, incluindo verbas da previdência social. Com a intervenção, correntistas perderam o acesso a salários e economias, gerando protestos nas ruas. A ligação de Peña com o grupo controlador do banco levantou suspeitas de conflito de interesses e omissão na fiscalização.
Por que o processo de impeachment continuou mesmo após o pedido de renúncia?
Houve uma manobra política intensa no Congresso. Se a renúncia fosse aceita rapidamente, Peña sairia do cargo com os benefícios de ex-presidente, tornando-se senador vitalício e ganhando imunidade parlamentar, o que dificultaria investigações criminais contra ele. No entanto, deputados governistas abandonaram a sessão, derrubando o quórum e impedindo a votação da renúncia. Com isso, o Senado decidiu dar prosseguimento ao impeachment. O objetivo de setores da oposição e até de parte do próprio partido do presidente é destituí-lo para garantir que ele perca o direito ao foro privilegiado.
Quem deve assumir o poder caso Santiago Peña seja destituído?
O vice-presidente Pedro Alliana é o sucessor imediato e deve assumir o comando do país caso o Senado aprove a saída definitiva de Peña. Alliana foi poupado do processo de impeachment pela Câmara dos Deputados e tem um perfil mais político e partidário do que o atual presidente. Ele já presidiu a Câmara e o Partido Colorado, o que pode facilitar a articulação com o Congresso. Especialistas acreditam que Alliana manteria a linha econômica atual, focada em atrair investimentos estrangeiros, mas teria o desafio de reconstruir a confiança da população no sistema financeiro paraguaio.
Quais são as consequências eleitorais dessa troca de comando no Paraguai?
A ascensão de Alliana à Presidência pode redesenhar o cenário para as eleições de 2028. A Constituição do Paraguai proíbe a reeleição e estabelece mandatos de cinco anos. Se Alliana assumir agora e concluir o mandato até agosto de 2028, ele ficará legalmente impedido de disputar o cargo novamente na próxima eleição. Isso abriria espaço para novas lideranças dentro do Partido Colorado iniciarem uma disputa interna pelo poder, além de exigir que o Congresso escolha um novo vice-presidente para compor o governo de transição, alterando o equilíbrio de forças políticas no país.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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Autor: Gazeta do Povo








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