O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña presta depoimento neste sábado (7), no âmbito da investigação criminal sobre o colapso do Ueno Bank. Destituído pelo Senado na sexta-feira (6) e detido horas depois, Peña é investigado por suspeita de lesão de confiança e outros crimes relacionados à instituição financeira, da qual foi acionista até março de 2025. A investigação busca esclarecer se ele utilizou sua influência política para favorecer o grupo controlador do Ueno Bank e se houve omissão de autoridades na fiscalização das operações.
Peña, que passou a noite no Regimento de Escolta Presidencial, para onde foi transferido depois que manifestantes se concentraram diante de sua residência, chegou à sede da Procuradoria-Geral do Estado em um veículo acompanhado por uma pequena escolta policial. Ele estava sem algemas e foi acompanhado pelo advogado Ricardo Preda. Inicialmente, o depoimento estava previsto para ocorrer na Unidade Especializada em Crimes Econômicos e Anticorrupção, mas o local foi alterado por razões de segurança.
O depoimento integra a investigação conduzida por uma equipe especializada do Ministério Público, que abriu três procedimentos criminais para apurar possíveis irregularidades na supervisão do Ueno Bank, na aplicação de recursos públicos na instituição e na atuação de autoridades e ex-autoridades do governo e do Banco Central.
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Acusações de favorecimento
Uma das principais linhas de investigação diz respeito aos vínculos empresariais de Peña com o Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank. O ex-presidente declarou participação acionária na Ueno Holding, conglomerado que reúne empresas ligadas ao grupo, e vendeu sua participação em março de 2025, durante seu mandato presidencial.
A oposição sustenta que o ex-presidente teria utilizado o cargo para favorecer os interesses do grupo empresarial. Entre os pontos que os investigadores precisam esclarecer está a concentração de recursos públicos no banco, que administrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos de órgãos estatais e instituições previdenciárias. Peña nega irregularidades.
As denúncias também questionam a atuação do Banco Central do Paraguai no caso Ueno Bank. Segundo os documentos apresentados por parlamentares, a autoridade monetária teria identificado problemas nas operações do Ueno Bank meses antes de sua liquidação, sem adotar tempestivamente medidas suficientes para impedir o agravamento da situação.
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Autor: Gazeta do Povo




















