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Boicotar ou conviver? O que a arte pode nos ensinar

Antigamente, para escolher uma padaria, bastava saber se o pão era bom, se o preço era razoável e se o dono não tinha o hábito de vender como saindo do forno o que tinha sido feito ontem. Depois das eleições, porém, há quem só compre depois de saber em quem o padeiro votou.

A recente onda de boicotes a estabelecimentos comerciais identificados com apoiadores de Lula é mais um capítulo da nossa interminável guerra política que fragmenta cada vez mais a sociedade. De um lado, listas de empresas a evitar e produtos a consumir. Por outro lado, acusações de intolerância e autoritarismo vindas como resposta de quem, em outras ocasiões, praticou o mesmo e até com mais entusiasmo.

Mas seria um erro reduzir a uma disputa sobre quem teria o direito de boicotar quem. O boicote não foi inventado pela direita, tampouco é exclusividade da esquerda. Trata-se de instrumento antigo de pressão social, política e econômica, que pode servir a causas muito diferentes. Algumas nobres, outras nem tanto.

Tampouco parece muito útil discutir se boicotar é, em si, certo ou errado. É tarde para isso no caso brasileiro. Mas talvez ainda haja tempo para refletir sobre o que acontece com uma sociedade quando a exclusão se transforma numa forma habitual de relacionamento com os outros.