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Memorial de vítimas da Covid-19 é inaugurado no Rio – 14/04/2026 – Cotidiano

O Ministério da Saúde inaugurou um memorial em homenagem às mais de 700 mil vítimas da Covid-19 no Brasil. O espaço funciona no Centro Cultural do Ministério da Saúde, no centro do Rio de Janeiro. A abertura ocorreu no dia 7, quando se celebrou o Dia Mundial da Saúde.

Na cerimônia, o ministro Alexandre Padilha afirmou que o país viveu, durante a pandemia, “não apenas uma crise sanitária, mas uma crise de responsabilidade pública” e disse que o negacionismo teve impacto direto no número de mortes.

“O negacionismo custou vidas. A ciência já demonstrou que grande parte das mortes poderia ter sido evitada se tivéssemos seguido as evidências, incentivado a vacinação e protegido a população”, afirmou.

Durante o evento, o ministério também homenageou jornalistas e veículos que atuaram na cobertura da pandemia, entre eles a Folha, que recebeu uma medalha ao lado de outros integrantes do consórcio de imprensa.

O consórcio, formado em 2020 por Folha, UOL, O Globo, G1, Extra e O Estado de S. Paulo, reuniu mais de uma centena de jornalistas em um esforço inédito de cooperação entre veículos concorrentes para coletar e divulgar, diariamente, dados de casos e mortes diretamente das 27 secretarias estaduais de Saúde.

A iniciativa foi criada após mudanças na divulgação oficial dos números pelo governo do então presidente Jair Bolsonaro (PL), alvo de críticas de especialistas pela condução da crise. Os dados consolidados eram publicados diariamente, abasteceram reportagens em todo o país e se tornaram referência de transparência durante a pandemia.

O consórcio funcionou por 965 dias consecutivos, mais de dois anos e meio, e foi encerrado em janeiro de 2023, quando a vacinação já havia reduzido o impacto da doença e os dados oficiais passaram a ser considerados confiáveis por especialistas.

O memorial reúne uma instalação digital, obras artísticas e espaços interativos voltados à vacinação. Entre as estruturas, está a obra “Cada nome uma vida”, com painéis que exibem nomes de mortos pela doença no país.

Além disso, o espaço também abriga esculturas em homenagem às vítimas

O espaço também abriga esculturas em homenagem às vítimas, incluindo uma peça circular em metal criada por Darlan Rosa, conhecido por desenvolver o personagem Zé Gotinha, instalada próxima a uma área voltada ao público infantil

A iniciativa inclui ainda um portal digital com acervo sobre a pandemia e uma exposição itinerante, que deve percorrer capitais até 2027.

Para Padilha, a preservação da memória da pandemia é uma forma de evitar retrocessos. “Preservar essa memória é essencial para que o Brasil nunca mais repita esse erro e para que a defesa da ciência e da vida seja um princípio na condução da saúde pública”, disse.

O Brasil está entre os países com maior número absoluto de mortes por Covid-19 no mundo. Segundo dados do Ministério da Saúde, foram cerca de 40 milhões de casos e mais de 716 mil mortes.

O pico da crise sanitária foi registrado em 2020 e 2021, quando o país chegou a superar 4.000 mortes por dia. À época, a Fiocruz classificou o cenário como o maior colapso do sistema de saúde já registrado no país. Também houve falta de insumos hospitalares, como oxigênio, e atraso na compra de vacinas no governo Bolsonaro.

A pandemia foi declarada em março de 2020 pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e teve sua emergência global encerrada em maio de 2023, mais de três anos depois.

Tratamento pós-Covid

No mesmo dia, a pasta lançou o Guia Nacional de Manejo das Condições Pós-Covid, com orientações para diagnóstico e tratamento de sintomas persistentes da doença no SUS (Sistema Único de Saúde).

Segundo o ministério, cerca de um quarto das pessoas que tiveram Covid-19 apresentam algum tipo de sequela, que pode surgir semanas após a infecção, inclusive em casos leves.

O documento reúne protocolos clínicos, recomendações terapêuticas e fluxos de atendimento na rede pública, com orientação para encaminhamento de pacientes e atenção a grupos mais vulneráveis.

A publicação ocorre em um contexto de alta demanda por acompanhamento de casos de Covid longa e busca padronizar o atendimento no SUS.

Dados do Ministério da Saúde apontam que, após uma queda nas coberturas vacinais até 2022, o país voltou a registrar avanço na imunização nos últimos anos.

A cobertura da primeira dose da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, superou a meta de 95% em 2024. A vacinação contra o HPV também apresentou crescimento, com aumento da adesão entre meninas e, principalmente, entre meninos de 9 a 14 anos.

Segundo a pasta, mais de 72 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 foram distribuídas no país desde 2023, após o pico da campanha de imunização registrado em 2021 e 2022.

Autor: Folha

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