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Único país sul-americano a reconhecer Taiwan como nação soberana, Paraguai passa a ser alvo de retaliação da China, que exige rompimento

Foto: WHoP

Durante a visita do presidente Santiago Peña a Taiwan, o Ministério das Relações Exteriores da China instou “as autoridades paraguaias a tomarem o lado certo da história o mais rápido possível e a fazerem a escolha correta: reconhecer o princípio de ‘uma só China’ e romper suas relações diplomáticas com as autoridades de Taiwan”, disse o porta-voz Lin Jian.

Peña lidera uma delegação de autoridades e representantes empresariais em uma visita de quatro dias e descreveu Taiwan como um “parceiro fundamental” para seu país, cuja relação bilateral remonta a 1957.

O presidente Lai Ching-te recebeu Peña com honras militares, incluindo uma salva de canhão e um tapete vermelho, antes de uma reunião privada.

Resposta paraguaia à pressão chinesa

Durante o encontro, Peña condenou a pressão militar e econômica da China sobre Taiwan e afirmou que Taipei tem o “direito soberano de se relacionar livremente com outros países, sem interferências indevidas que visem isolá-la internacionalmente”.

“O Paraguai reafirma sua condenação às manobras militares da República Popular da China perto de Taiwan e às pressões econômicas crescentes exercidas por Pequim”, disse o presidente paraguaio.

Acordos bilaterais e apoio democrático

Os dois países planejam assinar acordos de assistência jurídica mútua em matéria penal, cooperação em segurança cibernética e um projeto conjunto de investimentos. Lai agradeceu a Peña e ao seu governo “pela longa defesa de Taiwan no cenário internacional”.

“Taiwan e Paraguai são parceiros firmemente comprometidos com os valores da democracia, da liberdade e dos direitos humanos”, disse o líder taiwanês.

Histórico de pressão diplomática e isolamento de Taiwan

A pressão chinesa sobre Assunção não é nova. Em dezembro, um funcionário da diplomacia chinesa visitou o Congresso paraguaio e afirmou que o país deveria escolher entre a China e Taiwan.

“Neste caso não é uma opção ‘com a China e Taiwan’. Não. É: ‘ou com a China ou com Taiwan’”, disse o funcionário, recomendando que o governo tomasse “uma decisão correta o mais rápido possível”.

Nos últimos anos, o isolamento diplomático pró-Taiwan na América Latina se aprofundou: Nicarágua, em 2021, e Honduras, em 2023, cortaram laços com Taipei e passaram a reconhecer a China, reduzindo para pouco mais de uma dezena o número de países com relações oficiais com Taiwan. ​​​​​​​​​​​​​​​​

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