A cerca de quatro quilômetros do centro de Corupá, no norte de Santa Catarina, um amplo conjunto histórico destaca-se entre morros e mata nativa. O Seminário Sagrado Coração de Jesus fica às margens do Rio Novo e reúne arquitetura, fé, gastronomia e natureza.
O local acolhe visitantes e convida a percorrer seus caminhos, jardins e construções centenárias, com a oferta de visitas guiadas com diferentes roteiros. Cada opção varia no tempo e nos ambientes explorados. Há percursos focados na arquitetura, na história e na integração com a natureza.
Algumas experiências incluem áreas pouco conhecidas, como antigas estruturas de apoio. Outra proposta simula um dia completo de rotina religiosa. O prédio histórico oferece serviço de pousada com 20 quartos e o hóspede por participar das atividades dos padres, como missas e horários de oração.
“O seminário desperta um sentimento de pertença, para o visitante e para o morador de Corupá. É um espaço único, histórico, de reflexão sobre o caminho da vida. Para os moradores não é o Seminário do Coração de Jesus, mas de Corupá”, afirma Joice Jablomski, historiadora do Museu do Seminário do Sagrado Coração de Jesus.
Gastronomia alemã mantém tradição e é outro atrativo no Seminário de Corupá
O edifício mais antigo do complexo, com tijolos aparentes e traços gótico-romanos, abriu as portas em 1932. O complexo nasceu como centro de formação religiosa e também abrigou um internato educacional. Na época o local era distrito de Joinville e se chamava Hansa Humboldt, em homenagem ao cientista alemão Alexander von Humboldt.
O nome Corupá foi adotado após a emancipação. O termo é tupi-guarani e significa caminho de pedras. O município faz divisa com Jaraguá do Sul e São Bento do Sul. O acesso principal ocorre pela rodovia BR-280, a partir de Joinville.

“Corupá é uma cidade que teve imigração europeia. No seminário, a cultura alemã é muito forte, porque a construção foi coordenada por sacerdotes alemães, o que despertou esse apelo à cultura e à culinária germânica”, relata Jablomski.
Aos domingos, o restaurante do seminário serve almoço típico alemão. Pratos como marreco recheado e joelho de porco são especialidades no bufê. No mesmo dia, uma cafeteria atende com vários tipos de cafés, quentes e gelados, e serve um famoso rocambole de suspiro.
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Jardins e capela reforçam simbolismo do seminário
A área externa do seminário de Corupá inclui dois jardins acessíveis ao público. O principal fica diante do prédio histórico. Arbustos desenham um labirinto sobre o gramado e uma imagem do Sagrado Coração de Jesus está no centro do cenário.
“O labirinto possui cinco caminhos, que fazem relação aos cinco continentes”, explica a historiadora. Já o jardim interno preserva a antiga fonte de água e fica próximo ao museu. Ambos funcionam como espaços de contemplação e convivência.
Visitantes podem circular livremente, descansar na grama e fazer piqueniques. O local impõe regras simples: não consumir álcool, evitar som alto e recolher o lixo. Durante a semana, o acesso ocorre das 7h às 18h. Nos fins de semana, os horários variam e são divulgados nas redes sociais do seminário.

A capela do complexo concentra grande parte das visitas. Inaugurada em 1956, segue o estilo greco-romano presente nas construções mais recentes. O destaque está na pintura de Cristo Rei, feita na abóbada sobre o altar principal. O autor foi o padre Antônio Echelmeyer, que trabalhou à noite, com pouca luz e sobre andaimes.
O espaço possui ainda dois altares laterais. A capela abre aos domingos, das 9h às 17h, com missa às 10h. Durante a semana, a entrada exige agendamento prévio.
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Museu mais antigo de SC preserva acervo e amplia visitação em Corupá
O museu do seminário de Corupá mantém o título de mais antigo em atividade em Santa Catarina. Fundado em 1933 por Luiz Gartner, o espaço começou com animais empalhados da região.
Hoje, reúne quatros exposições permanentes. A mostra de taxidermia apresenta cerca de mil exemplares. Há aves, mamíferos, peixes, répteis e anfíbios.
As técnicas aprendidas pelo fundador nos anos 1930 propiciam realismo às peças. Em outra ala, documentos e objetos contam a trajetória do seminário. Já uma terceira exposição destaca a vida de Luiz Gartner, que também atuou como enfermeiro, fotógrafo e artista e a última guarda objetos sacros. O museu abre aos domingos, sem necessidade de agendamento.
Eleito por voto popular como a principal “maravilha turística” do município em 2023, o seminário reforça sua relevância local. “A imponência e a diversidade cultural do seminário impulsionam o desenvolvimento do município”, afirma a secretária do Turismo, Esporte, Cultura e Lazer de Corupá, Glauce Araújo.
Autor: Gazeta do Povo








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