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Marcos Lisboa entrevista pesquisadora Maria Paula Curado – 12/05/2026 – Ciência

O economista e colunista da Folha Marcos Lisboa entrevistou, no terceiro episódio do programa Desenquadrando, a pesquisadora Maria Paula Curado. Ela chefia a área de epidemiologia e estatística em câncer do A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo, e leciona na UFG (Universidade Federal de Goiás) e na Faculdade de Saúde Pública da USP.

Curado já esteve à frente da área de epidemiologia descritiva da IARC (sigla em inglês para agência internacional para pesquisa em câncer), da OMS (Organização Mundial da Saúde).

Desenquadrando é um especial de oito episódios com entrevistas sobre temas que impactam a economia brasileira. O programa está disponível no canal da TV Folha no YouTube.

No episódio, Curado contou como nos anos 1980, após se especializar em cirurgias de câncer de cabeça e pescoço e voltar para Goiânia, começou a notar que as operações que realizava não necessariamente livravam de vez os pacientes da doença.

“Passava dez horas fazendo cirurgia e, em dois, três meses, recidivava [voltava] tudo”, disse a especialista.

Foi então que começou a desenvolver uma base de dados local para tentar entender a incidência de câncer na capital goiana. Foi sua entrada na área da epidemiologia.

Durante a conversa, Lisboa e Curado abordaram a alta incidência de câncer de boca no país e a diminuição dos casos de câncer gástrico no mundo, apesar da mortalidade ainda alta em relação a este último.

O lado humano da doença também foi parte da conversa. Um dos pontos mencionados é a necessidade de comunicação com as pessoas e a explicação das exposições ao risco. Por sinal, em relação a formas de prevenção do câncer, a pesquisadora reafirmou a importância de ter uma vida saudável, comer bem e se exercitar. “É o feijão com arroz mesmo. E socializar, ter amigos”, disse ela.

Outro ponto relacionado discutido foi o trato —ou a falta dele— do médico em relação aos pacientes. Curado tratou um câncer e, ao se ver do outro lado da mesa do consultório, afirmou que viu como o paciente é pouco ouvido.

“Uma das coisas que me chamou muito a atenção é que o médico às vezes não pergunta ‘como é que você está?’. Eu acho que é a forma como foi estabelecido dentro da universidade. O médico é Deus, o paciente vai ser salvo por aquele Deus que sabe tudo. Tem que parar de ser subserviente, tem que ser uma relação menos ditatorial”, afirmou a pesquisadora. “O paciente precisa ter escolhas. Ele tem que pensar sobre o que ele quer.”

Segundo ela, não é tão difícil assim explicar aos pacientes os pontos relacionados à doença.

Por fim, Lisboa e Curado discutem as bases de dados médicas existentes no Brasil. A pesquisadora elogiou algumas das bases do país, como os Registros Hospitalares de Câncer —obrigatórios para hospitais públicos—, mas também citou problemas e a necessidade de melhorias.

Autor: Folha

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