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Espanha inicia evacuação de navio com surto de hantavírus – 10/05/2026 – Equilíbrio e Saúde

Os ocupantes do cruzeiro MV Hondius, que registrou um surto de hantavírus, começaram a deixar a embarcação neste domingo (10). O desembarque teve início horas depois de sua chegada ao porto de Granadilla de Abona, na ilha espanhola de Tenerife. A operação deve se estender até esta segunda (11).

Noventa e quatro passageiros e tripulantes já iniciaram o retorno a seus países.

Os dois últimos aviões de repatriação devem partir na tarde desta segunda, segundo a ministra da Saúde da Espanha, Mónica García. Uma aeronave enviada pela Austrália transportará seis pessoas, enquanto outra, da Nova Zelândia, levará 18 ocupantes, incluindo cidadãos de países que não disponibilizaram voos próprios.

Durante o voo para a França, 1 dos 5 passageiros franceses apresentou sintomas da doença, afirmou o primeiro-ministro do país, Sébastien Lecornu, em um post no X. Ele vai ficar em quarentena hospitalar por 72 horas e depois deve cumprir isolamento de 45 dias em casa.

A operação de repatriação do MV Hondius envolve a retirada dos passageiros em lanchas até o porto de Tenerife, de onde seguem em ônibus militares escoltados até o aeroporto. De lá, embarcam em aviões enviados por seus países, sem contato com a população local.

Neste domingo, a embarcação entrou no pequeno porto do sul de Tenerife às 2h, no horário de Brasília. Todos os ocupantes do navio passam por procedimentos de descontaminação antes dos voos de repatriação. Passageiros e membros da tripulação só podem deixar a embarcação quando a aeronave destinada ao grupo já estiver disponível.

A repatriação é realizada por nacionalidades, 23 no total. O primeiro grupo a deixar o cruzeiro foi o de 14 passageiros espanhóis, transportados ao aeroporto em ônibus especiais da Unidade Militar de Emergências (UME), adaptados com separação sanitária. Eles voaram para Madri.

Neste domingo, também partiram voos para França, Países Baixos —que levou um passageiro argentino e um tripulante guatemalteco, os dois latino-americanos do navio—, Canadá, Irlanda, Turquia, Estados Unidos e Reino Unido.

Após a conclusão da operação, cerca de 30 pessoas devem permanecer no navio, que seguirá para os Países Baixos nesta segunda. Lá, a embarcação passará por um processo de desinfecção.

A operação é coordenada pela ministra da Saúde da Espanha ao lado de outros ministros e do diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Tedros Adhanom Ghebreyesus.

A OMS recomendou a adoção de uma quarentena de 42 dias para todos os passageiros do navio a partir deste domingo, afirmou Maria Van Kerkhove, diretora de gestão de epidemias e pandemias da organização, em uma entrevista coletiva.

O cruzeiro saiu em 1º de abril da Argentina, com 149 pessoas a bordo, de 23 nacionalidades. O último balanço da OMS sobre o surto no navio indica um total de seis casos confirmados entre oito suspeitos. O vírus foi detectado em 2 de maio, 21 dias após a morte do primeiro passageiro. Ao todo, houve três óbitos: um casal de holandeses, de 70 e 69 anos, e um cidadão alemão.

O hantavírus geralmente é transmitido por roedores, mas em casos raros pode ser transmitido de pessoa para pessoa. A principal forma de transmissão do hantavírus ocorre pelo contato com roedores silvestres, conhecidos como ratos do mato, que eliminam o vírus pela urina, fezes e saliva.

Antes de iniciar a remoção, uma equipe médica entrou no navio para avaliar os ocupantes. A ministra espanhola da Saúde disse que eles estão assintomáticos.

O governo espanhol afirmou que a operação de desembarque ocorre com “todas as garantias de saúde pública”, e que não foram detectados roedores a bordo da embarcação.

Em relatório, o Ministério da Saúde da Espanha destacou que mais de 500 cruzeiros saem da Argentina e do Chile, onde o hantavírus é endêmico, e chegam todos os anos à Europa sem que surtos tenham sido registrados no continente, classificando como “remota” a possibilidade de um surto relacionado ao MV Hondius.

Casos suspeitos

Uma mulher espanhola, que era suspeita de ter contraído o vírus após compartilhar um voo com um dos pacientes que morreu, teve seu teste com resultado negativo neste sábado (9).

O exército britânico lançou de paraquedas uma equipe especializada na remota ilha de Tristão da Cunha para fornecer apoio médico a um caso suspeito, um britânico que era passageiro do navio e mora na ilha no Atlântico Sul.

Quatro pacientes permanecem hospitalizados na África do Sul, Holanda e Suíça, enquanto um caso suspeito enviado à Alemanha teve resultado negativo.

Risco de nova pandemia

No sábado, o chefe da OMS afirmou que o caso atual não é uma nova pandemia de Covid. “O risco atual para a saúde pública derivado do hantavírus continua sendo baixo.”

“Classificamos todas as pessoas a bordo como o que chamamos de contatos de alto risco“, disse Maria Van Kerkhove em um vídeo publicado em redes sociais. Segundo ela, o risco para a população em geral, incluindo os habitantes das Ilhas Canárias, é baixo.

O navio permanece fundeado, sem atracar, no porto de Granadilla para não tocar terra, por pedido expresso das autoridades regionais das Canárias, que deixaram clara sua oposição.

“Com minha autorização e conivência, não vou colocar a população em perigo. Se eles quiserem afrontar a comunidade autônoma e a vontade das instituições canárias, isso será feito pelo governo da Espanha, mas não com nossa cumplicidade”, afirmou o presidente das Canárias, Fernando Clavijo.

“O mundo nos observa novamente. E novamente a Espanha, como em muitas outras crises, responderá à altura do que é este grande país, com exemplaridade e eficácia”, disse neste domingo o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, em um ato do Partido Socialista na Andaluzia.

“Agradeço às Canárias por permitirem que o cruzeiro Hondius atracasse”, disse na praça de São Pedro o papa Leão 14, que visitará o arquipélago em abril dentro de uma viagem à Espanha.

Autor: Folha

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