
Os ministros das Relações Exteriores dos Brics concluíram nesta sexta-feira (15) sua reunião de dois dias em Nova Délhi sem chegar a uma posição comum sobre a guerra no Irã, depois que a declaração final do bloco reconheceu a existência de “diferentes pontos de vista” entre os seus membros sobre o conflito.
“Houve opiniões diferentes entre alguns membros com relação à situação na região da Ásia Ocidental e Oriente Médio. Os membros dos Brics expressaram as suas respectivas posições nacionais e compartilharam uma variedade de perspectivas”, assinalou o texto divulgado no encerramento da reunião ministerial, segundo informações da agência EFE.
O documento, publicado como uma declaração da presidência indiana dos Brics e não como uma declaração conjunta pactuada por todos os membros, evidenciou as dificuldades do bloco ampliado para fixar uma postura comum sobre a crise regional.
Ao lado de Egito e Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Irã ingressaram em janeiro de 2024 nos Brics, grupo que já era integrado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul e que foi expandido novamente em 2025, com a entrada da Indonésia.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, havia pedido na quinta-feira (14) para que os Brics condenassem os Estados Unidos e Israel pela guerra contra os iranianos iniciada em 28 de fevereiro (e desde 7 de abril em um tenso cessar-fogo) e acusado os Emirados Árabes Unidos de ajudar na “agressão” contra o regime persa.
Nesta sexta-feira, Araqchi disse que um membro dos Brics “bloqueou” uma declaração conjunta sobre a guerra no Oriente Médio devido à sua “relação especial” com Israel e os Estados Unidos, numa clara referência aos Emirados Árabes.
“Esse país não foi nosso alvo durante a guerra, apenas as bases americanas no seu território. O único motivo para não haver uma declaração é o seu apoio aos EUA e a Israel”, afirmou o ministro.
O texto final evitou qualquer condenação direta a EUA e Israel, embora tenha destacado que “muitos membros destacaram o impacto dos recentes acontecimentos sobre a situação econômica mundial”.
A declaração desta sexta-feira acrescentou que, entre as posições expressadas pelos membros, figuraram “a necessidade de uma pronta resolução da crise atual, o valor do diálogo e da diplomacia, o respeito à soberania e à integridade territorial”, assim como “a importância de um fluxo seguro e sem obstáculos do comércio marítimo através das vias internacionais”.
As divisões também ficaram refletidas em duas seções relacionadas a Faixa de Gaza e à situação no mar Vermelho, sobre as quais a presidência indiana adicionou notas esclarecendo que “um membro tinha reservas sobre alguns aspectos deste parágrafo”.
Em abril, o governo dos Emirados Árabes afirmou que o Irã deve pagar pelos danos causados pelos ataques do regime de Teerã a países do Golfo Pérsico durante a guerra contra Estados Unidos e Israel. Teerã alega que apenas visou bases americanas nesses países.
Os Emirados Árabes interceptaram mísseis e drones iranianos durante a guerra e nesta semana o The Wall Street Journal relatou que o país árabe teria realizado operações militares contra o Irã no início de abril.
Autor: Gazeta do Povo








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