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Como o Banco Central vem perdendo credibilidade

No último mês, a taxa básica de juros (Selic) recuou 0,25 ponto percentual, para 15,5% ao ano. O comitê do Banco Central justificou a pequena redução pelas incertezas decorrentes do conflito geopolítico no Irã. No comunicado dessa decisão, a instituição sinalizou cautela diante do cenário internacional. Nos comunicados recentes, o que vem batendo recorde é a palavra “incerteza”, mencionada quatro vezes nos últimos dois textos – um recorde histórico. Mas, afinal, quando o futuro não foi incerto? O comitê deveria se ater um pouco mais aos dados presentes, pois, se desejar certezas em relação ao futuro, sempre estará perdido. Desse fato pouco coerente surge uma série de questionamentos.

Por que o Banco Central não reduziu mais os juros, se sua projeção de inflação para dezembro de 2027 – horizonte relevante da política monetária – está próxima da meta (3,5% para uma meta de 3%), enquanto a expectativa do relatório Focus gira em torno de 4%?

Por que o Banco Central não atuou com mais firmeza no caso do Banco Master, a fim de evitar o que poderia se tornar a maior fraude da história do mercado financeiro brasileiro?

Por que o Banco Central não iniciou o ciclo de cortes ainda em dezembro, quando as expectativas de inflação para 2026 e 2027 estavam em 4,16% e 3,8%, respectivamente? À época, a projeção do Copom para o segundo trimestre de 2027 situava-se em 3,2% no cenário de referência.

Por que o Conselho Monetário Nacional (CMN) não elevou a meta de inflação em junho de 2024, mesmo diante de uma política fiscal claramente expansionista?

Por que o Banco Central não atuou com mais firmeza no caso do Banco Master, a fim de evitar o que poderia se tornar a maior fraude da história do mercado financeiro brasileiro?

Diante desses pontos, surgem dúvidas em relação à atuação recente do Banco Central do Brasil, outrora uma das instituições mais respeitadas de um país que ainda carece de solidez institucional.

VEJA TAMBÉM:

  • O Banco Central está sufocando o Brasil?

Para o investidor, a principal preocupação é que a estabilidade da moeda depende, em grande medida, da confiança no agente responsável por sua condução: o Banco Central. Nesse contexto, recomenda-se cautela redobrada na alocação de recursos.

Em termos práticos, reforça-se a importância da diversificação – inclusive internacional – nos investimentos financeiros. Já no mercado imobiliário, é prudente atenção aos contratos de locação de longo prazo indexados a indicadores calculados pelo IBGE, outra instituição cuja credibilidade tem sido questionada.

Raphael Cordeiro é diretor de Investimentos da Zelen Family Office, escritor e professor de pós-graduação da PUC-PR. É formado em Administração pela FAE e fez MBA em Finanças Pessoais pela FIPECAFI/USP.

Autor: Gazeta do Povo

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