A hipotermia em recém-nascidos é caracterizada pela temperatura corporal abaixo de 36,5°C, e o clima frio é a causa mais comum. O quadro ocorre porque o bebê ainda não tem o sistema de regulação térmica totalmente desenvolvido e perde calor com mais facilidade, além de possuir menos gordura para isolamento.
Ambientes com ar-condicionado ou correntes de ar, além de roupas inadequadas e banho com água pouco aquecida também podem desencadear a perda de calor.
Há, contudo, situações em que a hipotermia pode estar sinalizando outras condições. Em um organismo ainda em adaptação, a queda de temperatura pode indicar infecções, distúrbios metabólicos e até doenças cardíacas, sobretudo abaixo de 32°C, quando o quadro é considerado grave.
Ao entrar em hipotermia, o organismo do recém-nascido reduz a circulação sanguínea na pele para conservar calor e aumentar o consumo de energia, explica Caroline Peev, pediatra do Sabará Hospital Infantil.
“No entanto, isso tem um custo alto. O bebê passa a consumir mais oxigênio e glicose. Se essa situação se prolonga, pode levar a hipoglicemia e dificuldade respiratória. Em casos mais graves, pode haver instabilidade do funcionamento do coração e da circulação”, afirma.
Diferentemente do que ocorre com crianças maiores e adultos, os bebês podem reagir a infecções graves não com febre, mas com queda de temperatura, como no caso de sepse neonatal causada por bactérias, vírus ou fungos.
Da mesma forma, a hipotermia pode indicar distúrbio metabólico. “A hipoglicemia reduz a disponibilidade de substrato energético, o hipotireoidismo congênito diminui o metabolismo basal e os erros inatos do metabolismo interferem diretamente nos processos celulares de geração de energia. Em todos esses cenários, o organismo perde a capacidade de produzir calor de forma eficiente”, explica a pediatra.
Doenças cardíacas, especialmente as congênitas, também interferem na temperatura corporal pois o quadro limita a distribuição de calor para os tecidos, assim como problemas neurológicos. “Situações como asfixia perinatal, hemorragias intracranianas ou malformações do sistema nervoso central podem comprometer esse controle, levando à instabilidade térmica”, diz Peev.
Sinais de alerta e o que fazer
Em casos leves (entre 36°C e 36,4°C), o reaquecimento pode ser feito em casa. A melhor forma é agasalhar o bebê em camadas e aquecer cabeça, mãos e pés com gorro, luvas e meias. Colocá-lo junto ao colo de um adulto também ajuda a elevar a temperatura da criança.
Para casos moderados (de 32°C a 35,9°C) e graves (abaixo de 32°C), a recomendação é tomar as medidas de aquecimento já citadas e buscar atendimento médico imediato.
Diante da situação, alguns cuidados são necessários. “Não se deve expor [a criança] a banhos quentes ou colocar o berço muito próximo de aquecedores portáteis, devido ao risco de queimaduras. Dependendo do grau, essas queimaduras podem potencializar a perda de temperatura e transformar quadros leves de hipotermia em quadros graves”, afirma Ingrid Naiane de Oliveira Barros, médica intensivista pediátrica do Hospital Municipal Infantil Menino Jesus.
Bebês prematuros e com baixo peso são ainda mais vulneráveis, pois têm reservas energéticas menores e menos capacidade de gerar calor, o que exige cuidados redobrados, especialmente nos primeiros dias de vida.
“Eles também têm maior dificuldade [de regular a temperatura] pois o centro regulador, chamado hipotálamo, está imaturo”, acrescenta Barros.
Nem todo sinal de frio é motivo de alarme. Extremidades geladas são comuns, já que a circulação periférica do recém-nascido ainda está em desenvolvimento. O alerta surge quando outros sintomas aparecem em conjunto, e ignorar mudanças no comportamento do bebê aumenta o risco de complicações.
Veja a seguir alguns sinais que podem indicar doença ligada à queda de temperatura; nestes casos recomenda-se procurar socorro médico com urgência:
- Pele fria, pálida ou arroxeada
- Sonolência excessiva
- Choro fraco
- Dificuldade para mamar
- Respiração lenta ou irregular
- Pouca reação a estímulos
Autor: Folha








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