
Iniciativas no Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro mostram que o acolhimento, o vínculo humano e oportunidades concretas são as ferramentas mais eficazes para afastar adolescentes da criminalidade e reduzir as taxas de reincidência no Brasil.
Qual é o segredo do sucesso do programa gaúcho contra a reincidência?
O POD Socioeducativo, no Rio Grande do Sul, foca nos primeiros meses de liberdade do jovem. Com apoio de psicólogos e cursos profissionais, o programa gera um vínculo de amizade e confiança. O resultado é impressionante: 92% dos participantes não voltam a cometer crimes. Além das aulas, os jovens recebem um auxílio mensal de R$ 700, o que ajuda na transição para o mercado de trabalho com carteira assinada.
Como Minas Gerais trabalha para evitar que o jovem entre no crime?
O programa ‘Fica vivo!’ foca na prevenção em áreas dominadas pelo tráfico. A peça-chave é o ‘oficineiro’, uma liderança da própria comunidade que ensina futebol, grafite ou arte. Esses instrutores aproveitam momentos simples, como a hora do lanche, para conversar sobre o futuro e escolhas de vida. Em 2025, os territórios atendidos registraram uma queda de 40% nos homicídios de jovens em comparação ao ano anterior.
Qual a importância de transformar esses projetos em leis estaduais?
A continuidade é o maior desafio de projetos sociais. Quando uma iniciativa vira ‘política de Estado’ por meio de lei, ela sobrevive à troca de governantes e partidos. Isso garante que o orçamento seja mantido e que os jovens não fiquem desamparados no meio do processo de reabilitação. Exemplos como o ‘Fica vivo!’ e o POD Socioeducativo mostram que a institucionalização permite o aprimoramento das técnicas ao longo de décadas.
Como a fé e a internet estão ajudando ex-criminosos no Rio?
Patrick Salgado, ex-líder de facção, usa sua experiência para alertar outros jovens através do podcast ’01Sobreviventes’. Criado por ex-detentos, o canal mostra a realidade dura da prisão e do tráfico. Com milhões de visualizações, a iniciativa já convenceu líderes armados a abandonarem o crime e encaminhou dezenas de jovens para universidades. Patrick, agora pastor, prega que o sentimento de pertencimento e a identidade são o que os jovens realmente buscam.
Por que o vínculo humano é considerado mais importante que o dinheiro?
Especialistas e operadores desses programas explicam que oferecer apenas cursos ou bolsas de estudo não basta. O jovem vulnerável muitas vezes rompeu laços com a família e a escola. O crime oferece a ele identidade e acolhimento. Para mudar esse caminho, o poder público precisa oferecer um lugar onde ele se sinta bem-vindo e valorizado por quem é. O vínculo real com instrutores e assistentes sociais é o que sustenta a mudança de comportamento a longo prazo.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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Autor: Gazeta do Povo








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