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Policiais atacados no Capitólio vão à Justiça contra fundo de Trump

Dois policiais que foram agredidos durante a invasão de apoiadores do presidente Donald Trump ao Capitólio dos EUA em 6 de janeiro de 2021 ingressaram com uma ação judicial nesta quarta-feira (20) contra o “Fundo Anti-Instrumentalização” anunciado pelo Departamento de Justiça (DOJ, na sigla em inglês) na segunda-feira (18).

Segundo a gestão Trump, tal iniciativa terá os objetivos de ouvir reivindicações e oferecer reparações financeiras a cidadãos que foram vítimas de instrumentalização dos seus dados pessoais e de lawfare (guerra jurídica) praticadas pelo governo americano.

O procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, admitiu durante audiência no Congresso na terça-feira (19) que tal fundo, que terá à disposição US$ 1,776 bilhão de dinheiro público, poderá ser usado para indenizar condenados pela invasão ao Capitólio.

Segundo informações da agência Associated Press, a ação foi apresentada à Justiça americana por Daniel Hodges, policial do Departamento de Polícia Metropolitana, e por Harry Dunn, ex-policial do Capitólio dos EUA que concorre a uma vaga no Congresso pelo estado de Maryland pelo Partido Democrata. Ambos foram agredidos durante a invasão de janeiro de 2021.

A ação pede a dissolução do fundo, alegando que este seria “o ato mais descarado de corrupção presidencial deste século” e será usado para “financiar os insurgentes e grupos paramilitares que cometem violência em nome” de Trump.

“Nenhuma lei autoriza sua criação, o acordo em que se baseia é uma farsa corrupta e sua estrutura viola a Constituição e a lei federal”, afirmaram os policiais, citando a contrapartida para a criação do fundo: conforme anunciado pelo DOJ, Trump, seus filhos Donald Trump Jr. e Eric Trump e a Organização Trump encerraram processos contra o Departamento do Tesouro e a Receita Federal (IRS) no Tribunal Federal do Distrito Sul da Flórida pelo vazamento das suas declarações de imposto de renda.

O DOJ acrescentou que os citados também concordaram em retirar duas reivindicações administrativas que haviam apresentado contra o governo federal, incluindo “uma por danos resultantes da invasão ilegal de Mar-a-Lago e da farsa da conspiração russa” – citando as investigações que visaram Trump por ele ter supostamente levado documentos confidenciais para sua residência na Flórida após o fim do seu primeiro mandato (2017-2021) e por suspeitas de ligação da sua primeira campanha presidencial com a Rússia.

“Dunn e Hodges já enfrentam ameaças críveis de morte e violência regularmente; o fundo aumenta substancialmente o perigo”, argumentaram os advogados dos dois policiais, que alegaram que a iniciativa da gestão Trump “incentiva aqueles que praticaram violência em nome do presidente a continuarem a fazê-lo”. A Casa Branca ainda não se pronunciou sobre a ação.

Autor: Gazeta do Povo

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