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Paraná registra redução de homicídios no 1º trimestre

O número de homicídios no Paraná caiu 10% entre janeiro e março de 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado, saindo de 334 para 303 casos. A queda é ainda maior em relação ao primeiro trimestre de 2024, com 451 homicídios, uma redução de 33%. Os dados são da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp-PR).

O recuo também aparece em outros indicadores de criminalidade. Os latrocínios, que são os roubos seguidos de morte, caíram de 15 para nove ocorrências na comparação entre os primeiros trimestres de 2025 e 2026. Já os roubos passaram de 4.075 para 3.152 casos no mesmo intervalo, retração de cerca de 23%.

Para a Sesp-PR, a redução de homicídios no Paraná está ligada principalmente ao fortalecimento da integração entre as forças policiais e ao aumento dos investimentos em inteligência e tecnologia. Em resposta enviada à reportagem, a secretaria afirma que o estado vive uma queda “consistente” nos índices criminais e destaca que o Paraná encerrou 2025 com taxa de 9,9 homicídios dolosos por 100 mil habitantes, abaixo da média nacional.

Segundo o órgão, os investimentos previstos em segurança pública para 2026 ultrapassam R$ 8 bilhões. A estrutura inclui desde viaturas blindadas e helicópteros até drones, equipamentos de monitoramento e tecnologia voltada à investigação criminal. “O trabalho de inteligência é fundamental, principalmente quando falamos no combate a grupos criminosos”, afirmou a pasta.

A secretaria também relaciona os resultados à ampliação do efetivo policial e à integração operacional entre Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Científica e Polícia Penal. De acordo com a Sesp-PR, mais de 6,6 mil profissionais foram incorporados às forças de segurança entre 2019 e 2025.

Redução de homicídios no Paraná segue movimento nacional

Embora os investimentos em policiamento e inteligência apareçam como parte importante da explicação, especialistas afirmam que a redução de homicídios no Paraná acompanha um movimento mais amplo observado em diversas regiões do país e que o fenômeno não pode ser atribuído a um único fator.

A advogada criminalista Melissa Paz Sandler, especialista em Direito Penal e Processo Penal pela Escola Paranaense de Direito, lembra que o Brasil vem registrando queda nas mortes violentas nos últimos anos. “Esse movimento acompanha um cenário nacional de redução dos homicídios”, afirma.

Para ela, fatores sociais, econômicos e demográficos ajudam a explicar o comportamento dos índices. Um deles é o envelhecimento populacional. “Há menos homens jovens na população brasileira, justamente o grupo que concentra a maior parte das vítimas e autores de homicídios”, explica.

Melissa também aponta mudanças no funcionamento das organizações criminosas como elemento relevante. Segundo ela, períodos de menor confronto entre facções reduzem disputas territoriais ligadas ao tráfico de drogas, o que impacta diretamente os assassinatos.

Ao mesmo tempo, a especialista destaca que a ampliação do uso de tecnologia pelas forças de segurança trouxe resultados concretos. “O foco na elucidação de crimes violentos com monitoramento de fronteiras, câmeras de segurança e análise integrada de dados garante uma ação mais efetiva da autoridade policial”, afirma.

Apesar da melhora nos indicadores, ela alerta que os dados precisam ser analisados com cautela. “Ao mesmo tempo que o país registra queda nos homicídios, os índices de feminicídio e violência contra a mulher continuam crescendo”, observa.

Especialistas defendem prevenção social para manter queda

Gerson Rosa, professor de Direito Penal e Criminologia da UniCuritiba, avalia que os resultados recentes mostram avanço real na segurança pública paranaense, mas reforça que políticas repressivas sozinhas não conseguem sustentar a redução da violência a longo prazo.

“É importante ter em mente que a polícia consegue resolver o problema imediato. Mas, quando o problema social que está por trás não é solucionado, ele volta a se repetir”, afirma.

Segundo ele, ações ligadas à educação, emprego, moradia e inclusão social fazem parte da chamada prevenção primária da criminalidade e são essenciais para reduzir a violência de forma permanente. Ao mesmo tempo, Rosa reconhece que investimentos em tecnologia e inteligência policial aumentam a eficiência das operações e tornam a atuação das forças de segurança mais estratégica. “A inteligência, a tecnologia e a integração policial tornam a intervenção penal mais assertiva e menos lesiva”, diz.

O professor também chama atenção para a concentração da violência nos grandes centros urbanos. Para ele, municípios menores tendem a registrar menos homicídios porque mantêm relações comunitárias mais próximas e mecanismos informais de controle social mais fortes.

Mesmo com os avanços, Rosa considera que a segurança pública continuará sendo um desafio permanente. “Sempre e onde houver um corpo social, haverá a prática de algum crime. O importante é que o Estado consiga controlar esses índices e impedir o avanço da criminalidade violenta”, conclui.

Autor: Gazeta do Povo

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