Quando Colm Dillane viu pela primeira vez o terraço da sede de sua marca de moda, a KidSuper, no Brooklyn, ele soube exatamente o que queria fazer. Dillane, de 34 anos, sonhava em ter seu próprio campo de futebol desde criança. “Cresci jogando futebol em Nova York, e simplesmente não há campos suficientes”, disse ele.
Dois anos e US$ 1 milhão (R$ 5 milhões) depois, ele inaugurou um campo de 12 por 21 metros com duas traves de 2,1 por 1,8 metro. “Eu queria que fosse pequeno o suficiente para dificultar os gols, mas grande o suficiente para que fosse possível marcar”, explicou Dillane.
As laterais são feitas com paredes de rinque de hóquei, e o campo é cercado por todos os lados, inclusive por cima, para evitar que as bolas caiam na rua.
Há também um placar eletrônico controlado por um aplicativo, uma sala de equipamentos e um bar onde os jogadores podem se refrescar com uma bebida.
Ligas de adultos e crianças jogam lá quase todos os dias, assim como amigos da marca e funcionários. “É um benefício que as pessoas parecem gostar”, disse Dillane.
Este é o verão do futebol em Nova York, com a Copa do Mundo da Fifa (Federação Internacional de Futebol) de 2026 prestes a tomar conta da região. À medida que os moradores locais se empolgam com o esporte, empresas, órgãos governamentais, organizações sem fins lucrativos e escolas estão trabalhando duro para disponibilizar campos para a prática do futebol.
Alguns campos são para jogadores que levam o esporte a sério e contam com tecnologia avançada, enquanto outros são simples campos de grama em parques públicos e escolas.
Eles representam um começo para solucionar a escassez de campos de futebol na cidade de Nova York, um problema que persiste mesmo com o crescente interesse pelo esporte.
“Na cidade de Nova York, que é um grande caldeirão cultural com pessoas do mundo todo, não precisamos apresentar o futebol às pessoas”, disse Jennifer O’Sullivan, diretora de operações do New York City Football Club, um time de futebol profissional. “O que precisamos são espaços verdes para as pessoas jogarem.”
Para preparar seu terraço, Dillane teve que mover um sistema de ar-condicionado, nivelar o solo e adicionar uma estrutura de suporte. “Cada metro quadrado disso tem que aguentar cerca de 450 quilos de impacto porque as pessoas estão correndo sobre ele”, disse.
Outro desafio foi obter as licenças para a construção e para o uso do campo. Ele até teve confrontos com um vizinho que não queria morar ao lado de um campo de futebol. “Ele chamou a polícia várias vezes”, disse rindo.
Dillane acredita que valeu a pena. E outros perceberam. “Um cara me ligou agora mesmo para perguntar como ele poderia construir um campo de futebol na balsa dele.”
Construir campos de futebol é complexo, por mais simples que pareça, disse David Salerno, administrador do Randall’s Island Park, onde quatro campos de futebol restaurados foram inaugurados nesta temporada.
Nos últimos anos, o espaço foi usado para abrigar imigrantes, o que representou um desafio para a comunidade do futebol, disse Eliot Katz, de 47 anos, morador do East Harlem e funcionário da NYC Footy, uma organização que promove ligas de futebol.
“Por alguns anos, sofremos com a perda desses campos, o que afetou o futebol juvenil, o futebol de clubes, as ligas de escolas de ensino médio, as ligas adultas, as ligas recreativas e as pessoas que simplesmente vão ao Randall’s Island para fazer um churrasco e jogar uma pelada”, disse ele. “É muito bom tê-los de volta.”
A restauração custou US$ 5 milhões (R$ 25 milhões). “Quando você tem maquinário pesado se movendo sobre eles, isso vai causar uma depressão no subsolo”, disse Salerno. “Para torná-los campos de futebol jogáveis novamente, precisamos nivelar o terreno e colocar essa nova grama sintética por cima.”
“Os novos campos têm grama sintética de alta qualidade e um layout aprimorado com marcações melhoradas”, disse Katz. “É uma melhoria, e está muito bom.” A única mudança que ele faria seria adicionar iluminação. Uma solicitação orçamentária foi enviada à prefeitura.
Alguns campos particulares têm iluminação e muito mais.
Em 22 de abril, o time de futebol New York Red Bulls inaugurou um novo centro de treinamento de 32 hectares com oito campos de futebol ao ar livre em tamanho oficial em Morris Township, Nova Jersey.
Cinco deles são aquecidos. “Existem pequenos túneis que saem de uma tubulação principal e se conectam a um sistema de caldeiras. A água é aquecida e bombeada para o campo, retornando em seguida para a central de caldeiras”, disse Dan Shemesh, chefe de instalações do Red Bull New York. “Isso não só derrete a neve, como também impede que o solo congele.”
Enquanto os campos de futebol tradicionais de grama sintética têm cascalho por baixo, estes são revestidos com 5 centímetros de um material semelhante a um carpete, que inclui pedaços de borracha. “Isso torna o impacto mais suave”, disse Shemesh. “Significa que, se você bater a cabeça, não vai sofrer uma concussão.”
As instalações custaram mais de US$ 100 milhões (R$ 503 milhões) e incluem salas de aula, várias academias e áreas de bem-estar, um lounge e uma enorme lavanderia.
Essas características são um dos motivos pelos quais Niko Valvo, de 12 anos, que treina futebol desde os 2, está tão animado para começar na Red Bull Academy, o programa de base do grupo, neste verão.
“Eles têm coisas que poucos clubes no mundo têm, como um campo dedicado para goleiros”, disse ele. “Estou animado. Contei para todos os meus amigos.”
A seleção brasileira utilizará as instalações durante a Copa do Mundo.
Muitos dos novos campos de futebol da cidade estão sendo construídos em pátios e quadras de escolas.
A New York City Soccer Initiative, uma colaboração entre o NYCFC, o Mayor’s Fund, o Departamento de Educação de Nova York e patrocinadores corporativos, incluindo a Etihad Airways e a Capital Rx, está construindo 26 minicampos de futebol em escolas locais.
“Quando a Copa do Mundo acabar e toda a empolgação passar, queremos deixar um legado duradouro para o futebol”, disse O’Sullivan. “Você nunca sabe de onde virá o próximo Messi ou Ronaldo até colocar uma bola nos pés deles.”
Autor: Folha








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