Pergunta: Meus pais, na casa dos 80 anos e com plena lucidez, se aposentaram na Flórida há mais de uma década. Moro no centro-oeste dos EUA. Estou muito ocupada com uma promoção recente pela qual trabalhei muito, e participo de uma conferência anual importante para o meu trabalho.
O problema: minha mãe decidiu fazer uma cirurgia de quadril que adiou por anos, e a data coincide com a conferência. Como é uma cirurgia eletiva, pedi que ela escolhesse outra data para que eu pudesse estar com ela. Ela se recusou. Devo cancelar a conferência e arcar com os custos não reembolsáveis, ou ir e falar com ela por telefone? Ela me mandou um e-mail dizendo que eu não devia me sentir culpada porque já sabia que não podia contar comigo!
Resposta: Uma das coisas mais difíceis para filhos adultos é lembrar que os pais têm vida própria, mesmo quando não estamos por perto. Você compartilhou informações suficientes para fazer sua mãe parecer irrazoável, mas omitiu um detalhe importante: o que ela disse quando você pediu para remarcar? Pode ter sido difícil agendar. Ela pode estar com dores. Ou pode simplesmente não achar que sua presença é necessária.
O e-mail dela foi cruel, concordo. Mas você não trouxe o contexto. Minha mãe também poderia ter mandado uma mensagem assim se achasse que eu iria por obrigação, não por amor. Será que é esse o caso? Pelo que você descreveu, muito do seu foco está no novo emprego, na promoção, na conferência. Sua mãe pode ter tido a impressão de que é mais uma obrigação na sua agenda.
Ligue para ela. Diga: “Acho que estamos nos comunicando mal, mãe. Quero ir porque te amo. Se der para remarcar, quero estar lá. É possível?” Se ela recusar, respeite a decisão dela. Verifique se ela tem uma rede de apoio. Mas lembre-se: essa cirurgia não é sobre você.
Vamos deixar nossas esposas fora disso, tudo bem?
Pergunta: Tenho um amigo próximo desde a infância. Estamos nos 30 anos e os dois somos casados. Mas nossas esposas não se dão bem. Meu amigo me disse que a esposa dele não quer mais programas em casal e que devemos nos ver a sós. Minha esposa, por sua vez, toparia ver o casal apesar do comportamento da mulher dele. Acho a situação um insulto à minha esposa. Já disse ao meu amigo que a dinâmica atual é inaceitável, mas nada mudou. Está na hora de encerrar a amizade?
Resposta: Não! Entendo que você prefira sair em grupo. Mas às vezes as pessoas simplesmente não se encaixam, e isso não é motivo para transformar a esposa do seu amigo em vilã. Nem para obrigar a sua a passar noites desagradáveis só para te agradar. Veja seu amigo a sós. Ser casado não significa sair apenas em casal. Respeito seu amigo por reconhecer a incompatibilidade e sugerir uma alternativa para preservar uma amizade antiga.
Um dia pode ser um sim
Pergunta: Sou uma pessoa sociável, mas cada vez tenho menos tempo para isso. Tenho dois filhos pequenos e um trabalho exigente. Mesmo assim, algumas amigas me mandam mensagem com frequência, e eu respondo pouco e recuso os convites. Devo ser mais firme e começar a ignorar as mensagens?
Resposta: Tive uma chefe que, como você, era mãe trabalhadora e muito ocupada. Ela me ensinou uma lição valiosa: não se torne refém do celular nem sinta que precisa responder a cada mensagem assim que ela chega. Uma ou duas vezes por dia, reserve 15 ou 20 minutos para responder a todas e não pense mais nisso até a próxima vez. É melhor do que pedir às amigas que parem de escrever.
Philip Galanes é escritor americano e colaborador do The New York Times
Autor: Folha




















