
O governo da Ucrânia acusou nesta quarta-feira (10) os serviços de inteligência da Rússia de recrutar adolescentes e jovens ucranianas para assassinar militares do país em uma operação que, segundo as autoridades, é coordenada principalmente por meio do aplicativo de mensagens Telegram.
De acordo com a polícia ucraniana, recrutadores da inteligência russa entram em contato com jovens ucranianas que buscam formas de ganhar dinheiro, oferecem pagamentos e orientam as participantes da operação a se aproximarem de militares ucranianos por redes sociais ou aplicativos de relacionamento. Após conquistar a confiança das vítimas, elas receberiam instruções para envenenar os soldados durante encontros ou colaborar em outras ações clandestinas.
Segundo o chefe da Polícia Nacional da Ucrânia, Ivan Vyhivskyi, as autoridades registraram desde o início deste ano seis casos de assassinatos e tentativas de homicídio contra militares ucranianos relacionados a esse esquema de recrutamento. De acordo com ele, um dos ataques foi impedido antes de ser executado.
De acordo com Vyhivskyi, os recrutadores russos prometem dinheiro fácil às jovens ucranianas e passam instruções à distância para a realização da operação. As participantes estão sendo orientadas pelos serviços de inteligência russos a se aproximar de militares ucranianos por redes sociais ou aplicativos de relacionamento, ganhar a confiança das vítimas e depois colocar substâncias tóxicas em bebidas durante os encontros.
As autoridades ucranianas afirmam que os agentes russos financiam o aluguel de apartamentos, a compra de bebidas alcoólicas e outros gastos ligados à execução dos planos. Segundo a polícia, os recrutadores informam, por mensagens, locais onde substâncias tóxicas, incluindo metadona, opioide sintético usado em tratamentos de dependência química, estariam previamente escondidas para serem utilizadas nos ataques.
De acordo com o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), uma adolescente de 17 anos foi detida recentemente sob suspeita de envenenar um militar ucraniano de 27 anos após receber instruções de um agente russo para realizar tal operação. A jovem teria sido recrutada em canais do Telegram enquanto procurava formas de ganhar dinheiro rápido.
As autoridades ucranianas também investigam o envolvimento de mulheres adultas em esquemas semelhantes.
Além deste tipo de operação, o SBU também acusa os serviços de inteligência da Rússia de recrutar adolescentes ucranianos de 13 a 18 anos para incendiar veículos militares e instalações ferroviárias no país.
A Polícia Nacional da Ucrânia alertou pais a monitorarem a atividade dos filhos em aplicativos de mensagem e redes sociais. Vyhivskyi também pediu que militares tenham cautela ao se relacionar com pessoas conhecidas pela internet, especialmente em aplicativos de namoro.
Autor: Gazeta do Povo








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