12 de junho. Dia dos Namorados. Data muito celebrada pelos casais românticos, pelos pares apaixonados. Jantares especiais, presentes inolvidáveis, declarações poéticas. “Love is in the air“, cantou pela primeira vez em 1977 o escocês-australiano John Paul Young.
Neste início de Copa do Mundo, faz-se necessário registrar que meu namoro com a seleção brasileira é antigo. Começou em 1982, quando, garotinho, apaixonei-me pela equipe comandada por Telê Santana e formada por craques da estirpe de Zico, Sócrates, Falcão e Júnior.
Cheia de ginga e vivacidade, eu já imaginava o nosso casamento. Só que a eliminação dramática diante da Itália resultou em rompimento. Com tamanha dor não dava para continuar. Era preciso sofrer silenciosa e solitariamente.
A versão de 1986, novamente com Telê, e com Sócrates, e com Zico (em recuperação de lesão), e com Júnior, e com Falcão (na reserva), era uma continuação, ainda garbosa, da de 1982. Não foi difícil voltar a flertar e a reatar o namoro.
Um reatamento promissor, com Careca brilhando na frente, Josimar gratíssima surpresa na lateral direita –justamente na posição em que agora a seleção não tem ninguém– e uma defesa que remetia ao hino do Palmeiras, “ninguém passa”, zero gol sofrido em quatro jogos.
Até que veio a França, uma intrometida que reapareceria depois um par de vezes. Estraga-prazeres, estraga-namoro.
Mesmo quando se gosta muito, e eu gostava muito mesmo da seleção, a relação pode começar a ficar desgastada se os finalmentes não chegam. No caso da Copa, eles são a conquista da taça.
Todo o encanto e a empolgação são ótimos, mas, se falta o principal, o continuar gostando torna-se árduo. Decepções castigam o namoro.
Pior é se, faltando o prato principal, nem o aperitivo é bom. A partir de 1990, meu compromisso com a seleção existiu, porém sem o fascínio de outrora.
Lazaroni, naquela Copa de eliminação ante a Argentina de Maradona, e Parreira, na seguinte, de vitória nos pênaltis após um 0 a 0 na final diante da Itália de Baggio, destruíram o futebol-arte, o maior atributo que a namorada oferecia.
Até houve bons momentos, o ápice em 2002, com maravilhas oferecidas pelos Ronaldos e Rivaldo, para depois o “não estou nem aí” da seleção ganhar contornos impensáveis. As DRs intensificaram-se.
Pisadas de bola minam a sedução, enfeiam a formosura. No entanto, a esperança que insiste em não morrer, aliada à expectativa que parece eterna do “agora será como antes”, reata novamente o namoro.
O que a seleção oferece em contrapartida? Arrumada de meião (2006), pisão e expulsão (2010), humilhação (2014), cai-cai (2018), desatenção (2022). Fatalidades? Tantas? Erros. Evitáveis.
Azedou de vez. Tentei, quis ir além do namoro. Casamento, contudo, é coisa séria. E quando a descrença supera o desejo, não tem jeito.
Desta vez, a seleção não será minha namorada. Continuo fiel a ela, jamais estarei com outras, por encantadoras e deslumbrantes que sejam. Mas insistir nesse namoro soa como dar murro em ponta de faca. Masoquismo.
Não consigo por ora voltar a me declarar, e este Dia dos Namorados passo sem ela. A paixão ressurgirá durante a Copa? A flechada do cupido terá de ser possante. Profundamente.
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Autor: Folha








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