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Copa do Mundo: Seleção brasileira, uma namorada antiga – 11/06/2026 – O Mundo É uma Bola

12 de junho. Dia dos Namorados. Data muito celebrada pelos casais românticos, pelos pares apaixonados. Jantares especiais, presentes inolvidáveis, declarações poéticas. “Love is in the air“, cantou pela primeira vez em 1977 o escocês-australiano John Paul Young.

Neste início de Copa do Mundo, faz-se necessário registrar que meu namoro com a seleção brasileira é antigo. Começou em 1982, quando, garotinho, apaixonei-me pela equipe comandada por Telê Santana e formada por craques da estirpe de Zico, Sócrates, Falcão e Júnior.

Cheia de ginga e vivacidade, eu já imaginava o nosso casamento. Só que a eliminação dramática diante da Itália resultou em rompimento. Com tamanha dor não dava para continuar. Era preciso sofrer silenciosa e solitariamente.

A versão de 1986, novamente com Telê, e com Sócrates, e com Zico (em recuperação de lesão), e com Júnior, e com Falcão (na reserva), era uma continuação, ainda garbosa, da de 1982. Não foi difícil voltar a flertar e a reatar o namoro.

Um reatamento promissor, com Careca brilhando na frente, Josimar gratíssima surpresa na lateral direita –justamente na posição em que agora a seleção não tem ninguém– e uma defesa que remetia ao hino do Palmeiras, “ninguém passa”, zero gol sofrido em quatro jogos.

Até que veio a França, uma intrometida que reapareceria depois um par de vezes. Estraga-prazeres, estraga-namoro.

Mesmo quando se gosta muito, e eu gostava muito mesmo da seleção, a relação pode começar a ficar desgastada se os finalmentes não chegam. No caso da Copa, eles são a conquista da taça.

Todo o encanto e a empolgação são ótimos, mas, se falta o principal, o continuar gostando torna-se árduo. Decepções castigam o namoro.

Pior é se, faltando o prato principal, nem o aperitivo é bom. A partir de 1990, meu compromisso com a seleção existiu, porém sem o fascínio de outrora.

Lazaroni, naquela Copa de eliminação ante a Argentina de Maradona, e Parreira, na seguinte, de vitória nos pênaltis após um 0 a 0 na final diante da Itália de Baggio, destruíram o futebol-arte, o maior atributo que a namorada oferecia.

Até houve bons momentos, o ápice em 2002, com maravilhas oferecidas pelos Ronaldos e Rivaldo, para depois o “não estou nem aí” da seleção ganhar contornos impensáveis. As DRs intensificaram-se.

Pisadas de bola minam a sedução, enfeiam a formosura. No entanto, a esperança que insiste em não morrer, aliada à expectativa que parece eterna do “agora será como antes”, reata novamente o namoro.

O que a seleção oferece em contrapartida? Arrumada de meião (2006), pisão e expulsão (2010), humilhação (2014), cai-cai (2018), desatenção (2022). Fatalidades? Tantas? Erros. Evitáveis.

Azedou de vez. Tentei, quis ir além do namoro. Casamento, contudo, é coisa séria. E quando a descrença supera o desejo, não tem jeito.

Desta vez, a seleção não será minha namorada. Continuo fiel a ela, jamais estarei com outras, por encantadoras e deslumbrantes que sejam. Mas insistir nesse namoro soa como dar murro em ponta de faca. Masoquismo.

Não consigo por ora voltar a me declarar, e este Dia dos Namorados passo sem ela. A paixão ressurgirá durante a Copa? A flechada do cupido terá de ser possante. Profundamente.


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Autor: Folha

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