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Danos à saúde mental agora devem ser mapeados por empresas – 15/06/2026 – Equilíbrio

Mais de 840 mil mulheres e homens morrem por ano por problemas associados a riscos psicossociais no trabalho, como longas jornadas de trabalho, insegurança no emprego e assédio, segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho).

Ainda conforme o relatório “O ambiente de trabalho psicossocial: avanços globais e caminhos para a ação“, divulgado em abril pelo órgão, esse cenário pode gerar perdas econômicas equivalentes a 1,37% do PIB mundial anualmente.

No Brasil, o Ministério da Previdência Social concedeu mais de 546 mil benefícios por transtornos mentais e comportamentais em 2025, alta de 15% em relação ao ano anterior. De acordo com o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), gastos com auxílios, em geral, aumentaram quase 70%, passando de R$ 18,9 bilhões em 2022 para R$ 31,8 bilhões em 2024.

De olho no problema, o MTE promoveu mudanças que passaram a valer em maio na NR-1 (Norma Regulamentadora 1), medida que obriga empresas a mapear e reduzir riscos de danos à saúde mental de seus funcionários. Quem não seguir as regras poderá ser multado após o prazo inicial de 90 dias para adaptação às novas regras.

“Em linhas gerais, a empresa passa a ser responsável não só por riscos relacionados à segurança física e química, mas também por riscos psicossociais”, diz a psicóloga organizacional Patrícia Ansarah, fundadora do Instituto Internacional em Segurança Psicológica. “É uma medida muito benéfica para trabalhadores.”

A NR-1 não diferencia gêneros, mas espera-se que ela ajude as mulheres, que são as que mais sofrem. São elas que enfrentam problemas como desigualdade salarial, esforço extra para ser reconhecida e normalização da jornada dupla, como escreve Patrícia no ebook “Além das Paredes – Mulheres, Trabalho e o que Não Se Separa”.

Segundo Débora Cursine, advogada especializada em direito empresarial e trabalhista, uma corrosão na parede é visível pelo fiscal que faz uma vistoria na empresa; já uma mulher destruída, não. “Você não a enxerga, então, o que vai pesar na NR-1 é a quantidade de atestados de afastamentos em uma empresa”, diz.

A alta rotatividade de funcionários também pode servir de alerta para os fiscais. “Ninguém entra no emprego para ficar um mês”, afirma Débora.

Nesse sentido, explica a especialista, as empresas que se adequarem logo à NR-1 poderão economizar muito a longo prazo. “Ao oferecer um ambiente de trabalho saudável, você evita o processo judicial, a cobrança de danos morais, que pode quebrar um negócio”, diz ela.

Além de responder a questionários sobre saúde mental propostos pela empresa, a psicóloga Patrícia sugere que mulheres enfrentando sobrecarga no trabalho sigam algumas medidas, como conversar com o superior sobre o que é prioridade antes de aceitar mais uma demanda.

Para as empresas, ela ressalta a importância da criação de canais de escuta e ações de conscientização. “Se não tem segurança psicológica, a mulher não vai falar sobre isso.”

Autor: Folha

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